segunda-feira, 1 de junho de 2015

Causa ou consequência? O mau sono do bebé e a hiperactividade.


Como poderá o mau sono em bebé ter alguma relação com o potencial de Hiperactividade na infância?

Desde que iniciei o estudo aprofundado na área comportamental do sono do bebé e da criança que a hipótese da existência de uma relação entre os problemas de sono e a hiperatividade é-me evolutivamente clara, ao mesmo tempo que tem motivado a minha investigação na área, e orienta a minha prática.
Tenho noção de que a informação e o “boom” da evolução científica tem também como reverso, criado mais insegurança junto dos pais, que agora se tornam mais conscientes da importância das suas práticas, mas que injustamente nem sempre são devidamente acompanhados e ajudados para desenvolver as suas competências de acordo com a informação. Apenas bombardeados com aquilo que “devem” ou não “devem” e com as assustadoras consequências dos seus, na grande maioria das vezes, genuínos atos de amor, os pais devem ser apoiados na fortificação dos seus recursos e não na “prescrição” de “receitas” do que é melhor para os seus filhos. No entanto, acredito que é necessário informar os pais, e não considero que é na ignorância de conteúdos que reside a segurança, mas sim, nas escolhas e opções com conhecimento de causa.

Alguns estudos recentes têm demonstrado efetivamente, que rotinas desajustadas de sono, sono insuficiente e de má qualidade, assim como desregulação das sestas, estão relacionados com o transtorno de défice de atenção e hiperatividade, sendo por isso também a sua causa e não apenas a sua consequência, efeito ou sintoma (Shur-Fen Gau, 2006; Lee et al., 2014; Chiang et al., 2010; Konofal, Lecendreux & Cortese, 2010)
Estes resultados vêm confirmar muitas das minhas reflexões e conclusões que resultam de inúmeras observações naturalistas, na minha prática com os Pais em suas casas. Para além disso, vêm mais uma vez intensificar a importância do bom sono para o melhor desenvolvimento do bebé e da criança, e a necessidade desta área ser dignificada como um campo fundamental de estudo e intervenção precoce, não só para o aumento da qualidade de vida das famílias e dos bebés, mas também para a prevenção de problemas futuros, entre outros, o da Hiperatividade e Défice de atenção.
Eis as razões porque acredito que “não ensinar a dormir” como um bom hábito, desde a estruturação basilar do Ser- Enquanto bebé-, pode aumentar o risco, de em criança, se desenvolverem problemas associados à hiperactividade e défice de atenção:
Quando o bebé não dorme bem o que acontece nos momentos que passa acordado?
Na minha génese de metodologia assente no diagnóstico pela observação naturalista e co- implementação com os Pais tornou-se fácil concluir que quando o cérebro está cansado, ou seja, quando o bebé mostra sinais de sono, por cada momento que passa sem estar a dormir após estes sinais, vive cada vez menos tempo em qualidade. O bebé de forma repetida (ou crónica) chora e resmunga, apresentando pouca ou nenhuma concentração e proveito em qualquer atividade (ajustada à idade). A cada menos tempo de sono que faz, menor é a qualidade de aprendizagem, e maior a exigência de distração que o bebé necessita, para que simplesmente não chore.
Um bebé privado de sono requer por isso, demasiadas e constantes respostas por parte dos pais para se manter minimamente “bem-disposto” por mais do que alguns minutos. Além de exaustivo, pode perigosamente degradar a qualidade da relação parental e do vínculo, que é essencial. Os cuidadores tornam-se mais impacientes, menos disponíveis para a relação, mais cansados, e normalmente, mais frustrados...
Porque é que um cérebro sobrecarregado de estímulos ou excessivamente cansado impede que o bebé durma o que precisa?
Por outro lado, e confirmando o efeito “bola de neve” (ou “pescada de rabo na boca”) o bebé que está cansado, por não estar a dormir o que precisa, vive e experiencia muito mais estimulação e informação do que o seu cérebro poderá processar de forma tranquila no sono. O que se observa é que mesmo quando o bebé adormece poderá não atingir com facilidade a passagem continuada entre ciclos circadianos, ficando predisposto a acordar em sono leve. Fazendo um ciclo de sono normal (45minutos), o bebé estaria naturalmente em sono profundo aos 25-30 minutos após adormecer, e não acordaria nem ao som de aplausos. No entanto, por hiperestimulação em momentos acordados, estes períodos de sono leve, tornam-se assim mais longos. O bebé nesse caso fica altamente predisposto a acordar e a chorar a qualquer barulho, interrompendo facilmente o seu sono (excluindo outras variáveis que enraízam o despertar antecipado). Por sua vez, isto vai influenciar o bebé a dormir menos e pior. Nesse contexto, é típico que as sestas do bebé se possam padronizar na duração de 30 minutos ou ainda menos tempo.
Quando o bebé não dorme, o que tipicamente se faz para que este esteja bem-disposto?
Lembre-se que um bebé que não foi ensinado ou a quem não se ajudou a promover os melhores hábitos para dormir, poderá apenas por essa razão apresentar mais dificuldade em adormecer ou permanecer a dormir pelo tempo saudável e ajustado às suas necessidades. Apenas por essa razão, tenderá a estar mais tempo acordado. Mas o seu cérebro continuará cansado, a sua irritabilidade aumentará e fá-lo-á necessitar de ser distraído constantemente para que não chore. Serão então necessários estímulos evolutivamente mais fortes para o distrair do choro. Os pais preocupados procurarão todas as estratégias para que o bebé acalme, recorrendo muitas vezes a estímulos desajustados e acessórios como ipads, televisão, colo constante para que o bebé veja tudo em movimento, um “ banho “ de objetos estimulantes (luzinhas, brilhos, tremeliques, etc.). Obviamente que os pais estão exaustos porque o bebé não dorme, sem disponibilidade emocional muitas vezes para considerar que, estão eles mesmos presos num conjunto de respostas ao choro, de curto prazo, que adensarão o problema, tanto de sono, como de futuro comportamento do bebé, hábitos e proveito de atividade. Esta falta de disponibilidade (por parte de Pais cansados) irá estar mais próxima de condicionar os pais na sua paciência para ensinar o bebé a desenvolver os seus recursos e aptidões de médio longo prazo, de descanso por exemplo, que reactivamente aplicarão de forma mais constante soluções de curto prazo, mas que adensarão o problema de sono.
Quantas vezes já nos deparámos com situações padronizadas deste género, aparentemente inofensivas?
- O bebé a ser continuamente abanado no carrinho para que não chore, até mesmo quando já não está a chorar há algum tempo (O resultado prático para o bebé é distração pelo movimento do mundo envolvente, o mundo sempre em agitação).
- O bebé ser distraído com bonecos, livros ou brinquedos para que abra a boca e coma um pouco melhor.
- O bebé a ser abanado para dormir, sem chorar.
- O bebé que está na cadeirinha de tremelique, com a música ligada, a projecção de luz de estrelas, 5 bonecos de cores, texturas e brilhos diferentes caídos na sua frente, uma tv ligada de fundo, e um cuidador esmerado que agita uma roca na sua frente.
- A criança que é posta num local de atividade, muito tipicamente na sala, com “centenas” de brinquedos estimulantes indiscriminados, amontoados, jogos e livros, a televisão ligada nos desenhos animados que mudam a 10-15 minutos, e ainda, pelo meio, um surto de publicidade.
- O desabafo:” Só consigo ter uns momentos de paz quando a ponho em frente à televisão”.
Estes são apenas alguns exemplos de estratégias bem-intencionadas, aparentemente naturais e inofensivas, mas acima de tudo compreensíveis, por parte dos cuidadores, mas, que sendo apenas respostas de curto prazo para que o bebé se acalme ou não chore, além de não resolverem o que está na base da rabugice ou choro, não estimam a capacidade de aprendizagem do bebé. Estes recursos não o permitem concentrar-se na verdadeira aprendizagem, que no fundo desejamos que fortaleçam, e não criam as melhores condições de comportamento a longo prazo.
Desde quando é que a vida em ritmo natural que se conquista os aborrece? Se calhar nunca os aborreceu, mas enquanto “cérebros exaustos” não foi fácil retirar satisfação do ritmo natural e bem mais calmo que a vida tem, com tempo para aprender a fazer tudo da melhor maneira (comer, dormir, brincar). A prática e a orientação devem ser feitas desde cedo, no sentido de ultrapassar as dificuldades através da concentração e da aprendizagem, e não da distracção como recurso face à dificuldade. Para isso é preciso haver condições para a pro-acção, que melhor se alcançarão com a regulação dos ritmos e uma prática que igualmente estima e ensina os melhores hábitos de descanso (sim, ensinar a dormir bem como elemento a considerar igualmente). É comum os pais, por desconhecerem a importância da estruturação da aprendizagem e importância dos hábitos ao longo do primeiro ano de vida, possam desistir nas primeiras dificuldades e choros do bebé, assumindo que o bebé poderá não ter capacidade para aprender. Muitas vezes os pais não estão confiantes do que o bebé precisa, e isso é largamente mais observável quando os pais não tomam parte ativa na regulação dos ritmos do bebé, e se deixam antes ser orientados pelo ritmo errático do bebé, ainda inexperiente.
Inadvertidamente e desde a base da sua vida, os nossos bebés estão a ser distraídos para as mais básicas aprendizagens estruturais! Porque nos admiraria que mais crescidos, tenham dificuldade em concentrar-se? Ou até mesmo não saibam dormir, acalmar, comer, esperar, ouvir, entreterem-se sozinhos sentindo-se seguros? Porque se tornaram exaustivos e tantas vezes insatisfeitos? O que aprenderam afinal? Ou melhor, o que sem querer lhes ensinámos e se arrastou rapidamente até à infância?
Como isto se pode repercutir para depois dos 12-15 meses?
O bebé ao viver nesta privação de sono ao longo do seu primeiro ano de vida, terá razões suficientes para ter enraizado hábitos pouco salutares de atividade, de relação, de sono também, podendo obviamente influenciar a qualidade da sua alimentação diurna. Condicionados por um cérebro cansado em tempo acordado, e por respostas a curto prazo dos pais, altamente estimulantes desde cedo para que não chore, baseiam-se agora na sua “fórmula” conhecida de brincar, e se sentir bem. Dessa forma, desenvolvem um baixo índice de satisfação e tolerância à frustração com predisposição para saltitar de superfície em superfície, de brinquedo para brinquedo, de jogo em jogo, em muito pouco tempo, sendo frequente ouvir o desabafo “ele tem muita dificuldade em concentrar-se numa brincadeira ou atividade por mais de 1 minuto”, ou “ ou nada o satisfaz de facto por muito tempo”. É normal que os índices de concentração do bebé sejam inferiores em termos de capacidade, em relação a um adulto, mas é também verdade que só aumentam para os seus níveis possíveis a cada idade, caso se proporcionem as condições e orientação por parte de quem cuida e educa.
Resumindo, se antes o seu cérebro não tinha capacidade para se concentrar em algo, por estar cumulativamente cansado, hoje, mesmo tendo mais idade e logo mais capacidade (e menos necessidade de horas de sono em relação aos primeiros meses de vida), simplesmente poderá não ter hábito ou tendência de se satisfazer doutra forma.
O recurso à televisão, se não foi introduzido até então, é agora usado como um falso apaziguador, afinal os pais estão também cansados, o que é perfeitamente compreensível. A televisão não é um “bicho” e terá conteúdos até bastante interessantes para crianças, no entanto, o hábito da sua exposição padronizada deve ser evitado até aos 18-24 meses, segundo vários estudos concluem, e não será difícil compreender porquê. O uso excessivo de televisão muitas vezes está ligado à criação de nocivos hábitos de interação passiva que não ajudam o bebé ou criança a desenvolver competências estruturais. É importante que aprendam a socializar, a saber brincar mais e melhor, a reforçar a confiança em voltar a tentar e lidar com a pequena frustração, a concentrar-se numa tarefa, a saberem ouvir e confiar. Para além de interferir negativamente com estas aquisições, a exposição excessiva à televisão pode também introduzir dificuldades em aprender a acalmar, a mudar de ritmo para dormir, e na retenção de atenção em estímulos que exijam esforço mental por mais tempo gradual. Por não desenvolver os seus próprios mecanismos internos basilares, todas as tarefas que não envolvam elevado nível de estimulação passiva (sem esforço e sem “distração”), e que obriguem à organização ou concentração, poderão ser pouco aprofundadas e vivenciadas como desagradáveis e acentuadamente aversivas, normalmente manifestas com choro e “luta”. Por conseguinte, vão ser tendencialmente evitadas pela irrequietude constante de procurar um novo estímulo, nova actividade, nova distracção, manifesta em choro ou birra, ou outras vezes de forma insustentável e aparentemente irreversível na capacidade de resposta dos pais.
Ensinar a dormir é uma parte significativa de prevenção dos distúrbios emocionais e de comportamento- um bom investimento para a estrutura cognitiva e emocional da criança
Na minha modesta opinião, ensinar a dormir desde cedo é sim, parte da prevenção a problemas de sono, mas que condicionam também diagnósticos mais complexos.
Quem trabalha “o sono”, não trabalha só com, e para o sono, e deve ajudar os pais, e trabalhar junto dos bebés, em todas as outras áreas fundamentais para o desenvolvimento equilibrado (alimentação, atividade, vínculo emocional/relação de confiança, cognição, comportamento, etc.). O bebé não se desenvolve harmoniosamente apenas “à conta” de um campo de desenvolvimento. E não basta apenas ensinar a dormir. Não esqueço essa condição enquanto responsabilidade e coerência, das quais me faço acompanhar diariamente no meu exercício profissional e foco. É a noção constante de que o sono é uma das bases fundamentais para o desenvolvimento, mas que não dispensa a análise atenta de outros áreas do bebé/criança que influencia e pelas quais é influenciado, que me faz acreditar numa intervenção completa, responsável, sensível, aprofundada e atenta junto das famílias.
Dessa forma acredito e sustento-me em evidências, não só da experiência que registei ao longo dos anos, como de também de estudos científicos que advertem para a hiperestimulação nos bebés, reforçando que a mesma, além de agravar os seus problemas de sono, é também consequência inadvertida do mau sono. Tem repercussões no comportamento que devem ser prevenidas, abordadas e tratadas.
Muito se tem falado na facilidade com que se medicam as crianças, com estudos já a surgir também sobre os malefícios futuros destas terapêuticas. Como alternativa, reforço que é urgente trabalhar na prevenção, junto dos bebés e das suas famílias, demonstrando sim, que a qualidade de sono é uma peça basilar do desenvolvimento, bem-estar e qualidade de vida, que promove o vínculo afetivo, a concentração e o maior rendimento a todos os níveis e para todos.


E se prevenir maus hábitos de sono ajudasse a diminuir a prevalência de abandono escolar, défices de atenção e até problemas emocionais na adolescência? E se tratar problemas de sono evitasse um diagnóstico futuro de hiperatividade?
Começa a ser evidente a necessidade de se reformular as políticas de saúde e aumentar as respostas aos problemas dos nossos bebés, não só os afetos ao sono! É fundamental abraçar os benefícios da prevenção e da intervenção precoce perante os desafios do novo contexto da parentalidade. Mantenho a crença e trabalho com a certeza (também de forma privilegiada com os meus filhos) que as crianças que dormem melhor poderão ter melhores condições para um desenvolvimento equilibrado, estruturação do seu sentido de felicidade, e assim maior facilidade enquanto adultos, de viver todo o seu potencial.


Referências:

Shur-Fen Gau, S. (2006). Prevalence of sleep problems and their association with inattention/hyperactivity among children aged 6-15 in Taiwan. Journal of Sleep Research, 15(4), 403-14 .

Lee HK, Jeong JH, Kim NY ,Park MH,Kim TW ,Seo HJ, Lim HK, Hong SC, Han JH, (2014). Sleep and cognitive problems in patients with attention-deficit hyperactivity disorder. Journal of Neuropsychiatric Disease and Treatment 17(10), 1799-805.

Chiang HL, Gau SS, Ni HC, Chiu YN, Shan CY, Wu YY, Lin LY, Tai YM, Soong WT, (2010) Association between symptoms and subtypes of attention-deficit hyperactivity disorder and sleep problems/disorders. Journal of Sleep Research, 19(4):535-45.

Konofal, E., Lecendreux, M., Cortese, S.(2010). Sleep and ADHD. Sleep Medicine 11(7), 652-8.



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Adormecer sozinho: Os riscos enquanto ingrediente isolado!



O bom sono não passa apenas por “ensinar a adormecer sozinho”. É uma chave capacitante fundamental. No entanto, fator critico de sucesso de um bom sono( qualitativo e contínuo) hoje e amanhã, é a integrada construção de uma relação equilibrada, com tempo de qualidade para a relação, nos momentos acordados.


O processo de crescimento do Ser Humano nunca se dissocia de Aprendizagem- é inerente! Não é opcional! É absolutamente necessário que se respeite o bebé, como ser único e especial, como Pessoa, numa fase que em especial nos 12 primeiros meses, tem o maior número de sinapses do que qualquer outra fase da vida!


Nesse sentido é importante acolher o bebé, observá-lo, conhecê-lo, mas não esquecer o fundamental papel de guia dos Pais, até no reconhecimento da definição das suas necessidades, com Amor, Resiliência e Respeito! É preciso dignificá-lo enquanto SER que tem a habilidade de aprender (porque tem), de se estruturar a cada dia que vive, reforçando as suas competências com dedicação que só o Amor permite e inspira. Isto desvia uma eventual tendência desequilibrada de se considerar um bebé mera extensão do corpo da Mãe, ou como mero pertence seu.


Uma forte relação de confiança que respeite as necessidades físicas e emocionais do bebé, permitirá uma regulação mútua, que estimula a sua noção de segurança, o reconhecimento de onde vive e como define os seus sentimentos. Desenvolvida com uma base de respeito e até justiça, poderá promover um adormecer e readormecer mais tranquilo e regular, sem a contínua expectativa frustrada da presença de recursos externos dos quais não controla quando adormece. Acima de tudo recursos de que não pode dispôr em toda a continuidade do sono (em muitos casos, por insustentabilidade de resposta continuada por parte dos próprios pais, perante a chegada de novos irmãos, ou mesmo quando a criança ficar com outras pessoas).




Começando como não se deseja continuar, e não tendo assim uma visão em perspetiva da qualidade da relação e do Vinculo a médio e longo prazo, poderá não se dignificar a capacidade do bebé em se preparar gradualmente nesse sentido, a fim de evitar choque e frustração. Dessa forma estar-se-á à mercê de repetidas desilusões do próprio bebé na hora de dormir, mas também da qualidade da relação, insegurança enraizada, difícil e muitas vezes impossível de manter, perante o contexto do que foi dado ao bebé, na base da vida, no seu processo primário de estruturação.


Este tema poderá ser algo controverso quando não aprofundado em todas as suas vertentes de influencia e efeito, mas o meu trabalho dedicado no campo, ao longo de vários anos, tem chegado a resultados e evidências (que organizo num estudo) que demonstram que o estabelecimento de uma base segura para o bebé/relação de confiança (teoria de vinculação Bowlby), de uma forma integrada, ou seja,  não apenas construída no momento exclusivo de adormecer, não só protegerá o sono saudável sem colocar em risco a sua vida emocional, como fortalece a sua relação de confiança com os pais. Afinal a verdade é que todos precisam de dormir e descansar….E dependente disso está também toda a qualidade de experiências que os pais podem dar aos seus filhos no inicio da sua vida, ou seja nos seus alicerces –  pois se cumulativamente cansados, os Pais não conseguem ser melhores pais, e continuamente privados de bom sono, os bebés não percecionam a vida da mesma maneira, nem se desenvolvem da mesma maneira.


Ao construir-se a relação de uma forma sólida estruturada e equilibrada ( com tempos para tudo), alicerça-se assim a confiança do bebé nos pais e no mundo (perceção segura do mundo envolvente, meta-corpo dos pais), de que pode contar com eles quando precisa, nas suas dificuldades de crescimento, e ter mimo voluntário e não apenas quando precisa de dormir. Assim poderá ser ensinada e enraizada a perceção de segurança interna, mesmo quando os pais estão fora do seu campo de visão ou de perceção física, temporárias- quando trabalham, vão à casa de banho, ou mesmo quando vão dormir. Caso se dê o benefício de uma preparação ajustada gradual e respeitante das necessidades físicas e emocionais em formação, o bebé está mais protegido e fortalecido emocionalmente para encarar o afastamento normal (não me refiro ao afastamento abandónico ou de negligencia). 


Poderá ser complicado para algumas vertentes do pensamento compreender o impacto, mas há que assumir que quando o bebé nasce; está cá para fora, e como tal, justo é ser gradualmente preparado e fortalecido de segurança em relação ao mundo exterior. È importante fazê-lo de forma progressiva e não, ser continuamente dada a percepção de que a segurança vem apenas da aproximação ao corpo do qual já se separou ao nascer, em regressão física….Pois poderá haver um ponto, que mais junto aos pais não poderá estar, só mesmo voltando para o útero….Algo impossível. Isto é algo que constato em alguns casos de co-sleeping que me procuram….O bebé/criança já não pode estar mais próximo dos pais, no entanto a insegurança em relação ao sono( mas não só) ditou a regra de co-sleeping. Mesmo assim, o bebé, depois do contacto físico, contínua inseguro e acorda várias vezes, pois o vinculo e noção de segurança foi apenas alavancada através da proximidade física.


Em diferença, os Pais podem assumir um papel de segurança e coerência organizada,  que não falham nas maiores dificuldades e necessidades, e estimam o seu ser em desenvolvimento e o vinculo da relação. Estas demonstrações continuadas em vários como tantos momentos, permitem um campo de perceções e associações ao bebé, limpo no campo do sono, para dormir de forma mais autónoma, tranquila e com uma enraizada e genuína noção de segurança em relação ao meio envolvente.


De forma apoiada não só no trabalho como nos estudos de entidades altamente qualificadas e dedicadas ao longo já de décadas, como do meu próprio trabalho e estudo confirmo que para os bebés, UMA DAS causas que enraízam no médio e longo prazo o seu despertar nocturno, é o facto de se ter consolidado (ainda que muitas vezes de forma acidental) a aprendizagem de ser adormecido ou readormecido, ou seja, induzido no sono através de acções alheias à prática física e interna dos seus mecanismos próprios- e não sejam assim apresentadas sequer, como uma escolha acompanhada e continuada num processo resiliente, paciente e estruturado, de quem ama hoje e amanhã - Valorizando assim um dos processos mais importantes do fortalecimento da qualidade de experiências enquanto acordado- o bom sono. 


No entanto, não sendo fácil toda a dedicação envolvida para aceitar que todo o processo de crescimento/aprendizagem não é mecânico e matemático e necessita de DISPONIBILIDADE e empenho (para se conhecer), para conquistas prolongadas e qualitativas neste campo, muitos Pais escolherão encontrar, ou recorrer a outras correntes que justifiquem aplicação de soluções de curto prazo, "indução do adormecer" através seja de ingestão, embalo etc, sendo escolhas e capacidades dos pais devidamente respeitáveis e que não devem ser julgadas, sequer moralmente, pois estes são os absolutos responsáveis pela sua noção/visão de convivência e crescimento a curto médio e longo prazo, não só do bebé como da própria família.


Perante todas as evidências de que poderão comprometer o hábito de sono contínuo e profundamente reparador, enraizado desde cedo, bem como das evidências que podem comprometer a pré-disposição do bebé e depois criança para dormir, a verdade é que jamais deverá ser julgado tanto o conhecimento, como crença, capacidade ou mesmo tempo disponível dos Pais para o alcance INTEGRADO do “bom sono”....Pois bom sono, reforço, não se resume em apenas ensinar o bebé adormecer sozinho...Quem assim acreditar, partirá de uma base incompleta e perigosamente insuficiente/incorrecta,  a revelar-se numa desilusão perfeitamente desnecessária.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Causas que incentivam e enraízam o despertar na madrugada - Parte III:Conciliar o sono de forma demasiado dependente



Quando os Pais adormecem o seu bebé, é bom que possam saber que quem adormece, efectivamente, é o bebé! Adormecer é uma acção e prática pessoal e intransmissível! Mesmo que os pais sejam membros activos na condução da conciliação do sono dos seus filhos. esta conquista por parte do bebé poderá fortalecer o seu conhecimento e autonomia, neste campo!
Mesmo que aos seus olhos pareça pouco tempo para se enraizarem conhecimentos e hábitos, os poucos meses de vida do bebé, são tudo o que ele tem de experiência e conhecimento! Se apenas e exclusivamente consolidar a aprendizagem de ser adormecido, ou seja, induzido no sono através de acções alheias à prática física e interna dos seus mecanismos próprios, é normal que venha a apresentar pouca facilidade em adormecer e principalmente, em readormecer. Irá instalar-se uma genuína necessidade (e não uma manha como se gosta de acreditar de forma popular), construída com base nessas referências ou expectativas.
É típico que no início, os pais se possam esquecer da importância de orientar e regular o bebé, canalizando a sua energia para tentar perceber o que se passa e agindo por reacção em vez de pro-acção. É uma atitude normal e importante de conhecimento, mas quando levada ao extremo, inverte a ordem natural de quem de facto precisa de ser orientado neste novo contexto. Ao invés de acolher as suas acções/reacções, e atribuir-lhes significado, os pais podem manter por demasiado tempo a resposta de curto prazo no atendimento às necessidades do bebé. Isso gera inadvertidamente um dos hábitos mais comprometedores da educação e que se manifesta deste muito cedo, no sono. Mas no fundo, e sem intenção disso, estes Pais dedicados, iniciam algo que não desejam prolongar, e, quando muitas vezes assumem que poderá haver um problema, é comum que certos maus hábitos no sono já estejam discretamente enraizados.
Exemplos como adormecer ao colo, com embalo, toque (festinhas, palmadinhas), companhia, à “mama” ou biberon, carrinhos de passeio, ou mesmo uma combinação baralhada de todas estas possibilidades, são algumas soluções de induzir o sono e soluções de curto prazo, que dão, inevitavelmente, uma percepção ao bebé, de que para dormir, qualquer um destes recursos pode ser necessário, e que destes está dependente! No entanto, são todos métodos de adormecer que não podem ser, na sua maioria, mantidos na duração ideal do sono ou crescimento do bebé, incentivando assim o estado de alerta para dormir, e a demarcação do despertar.
Porque serão então estas soluções para adormecer, causa do despertar à noite?
Se são estas as únicas “soluções” que o bebé reconhece e pratica para conciliar o sono, as mesmas agem também como um “incentivo” ao seu demarcar de despertar na noite. O sono é feito por ciclos de 45 minutos, e cada ciclo no seu fim (e início) é feito de fases de sono leve, onde o bebé pode despertar muito facilmente. Nem sempre o despertar é demarcado com choro (e aí muitas vezes os pais nem sabem se o bebé acordou ou não), mas caso o bebé interiorize que o processo de readormecer precisa de mais meios dos que este poderá accionar autonomamente, tenderá inevitavelmente a manifestar-se por hábito e nessa expectativa. Ou seja, em vez de simplesmente suspirar e entrar num novo ciclo, o bebé esperará algo, manifestando essa expectativa (e mais tarde manifestando uma genuína necessidade de segurança) através de choro.  
Não se pode esperar que o bebé saiba reconhecer que precisa de dormir, mesmo que seja a meio da noite, pois ele é naturalmente interessado por tudo o que lhe for oferecido, independentemente das horas. Caso as soluções oferecidas para adormecer ou readormecer, possam evitar que pratique o seu mecanismo interno de adormecer, ou venham mesmo inadvertidamente a agir como estimulantes e interessantes acontecimentos àquela hora, poderá ser complicado voltar a readquirir a calma necessária para readormecer rapidamente. Isso é algo que se confirma ser comum, quando a “metodologia” para pôr a dormir utilizada pelos pais, passa por “embalar com movimento”, uso de luz, deslocar de ambientes (por exemplo ir do quarto para a sala, passar para o carrinho, ou mesmo sair do berço para a cama dos pais, etc).
Nestas circunstâncias, à medida que o bebé cresce, poderá desenvolver e associar insegurança face ao local berço durante a noite (pois associa que quando tem dificuldade e chora, tem de sair imediatamente dali, como solução para o problema), poderão também intensificar-se as ocorrências de choro e aparente luta para dormir, sempre na mesma circunstância. Com a idade, e o aumento da consciência do bebé, é comum que as consequências de o adormecer em exclusiva dependência, em vez de o ensinar a dormir de forma despojada de expectativas e necessidades criadas artificialmente, tornem o sono cada vez mais difícil.
Observo, em variadíssimos casos, que é típico o bebé deixar de querer adormecer, em especial a partir dos 9 meses( combinando com fase típica de “ansiedade normal de separação”, num contexto histórico de sono dependente. Esta situação tende a piorar nesta fase, pois o bebé não se sente seguro no processo de dormir, consciencializando cada vez mais da dependência de companhia para o fazer. Percebe também, que quando adormece perde a noção do que está acontecer à sua volta, e que a “solução” que o deixa seguro para adormecer em primeira instância (companhia, toque, colo, etc.) não é constante e controlável, pois pode sair dali a qualquer momento, em especial quando ele não dá conta( pois adormeceu entretanto). É como se pairasse para o bebé a mensagem no ar: “o sono não é de se fiar, pois coisas importantes e incorrectas podem acontecer!”
Caso estas “metodologias” de adormecer e readormecer o bebé, consideradas de “curto prazo”, não sejam identificadas, isoladas das outras variáveis (que demarcam e enraízam o despertar e apresentadas no conjunto deste artigo “base”) e assim resolvidas, poderão, mês após mês, vir a enraizar-se igualmente no relógio biológico do bebé. Estas interrupções do sono impedem não só o descanso da família, como dificultam de forma padronizada o aprofundamento das fases de sono profundo, podendo arrastar-se para idades seguintes. O bebé poderá ficar “internamente programado para acordar”, e isto, simplesmente, porque sempre o fez, noite após noite, desde que se conhece. No entanto, mesmo estando os pais conscientes destas consequências, poderão sentir que não têm outra escolha senão aplicar o que sempre fizeram e viram fazer, experimentar de tudo um pouco, administrar fármacos, ou simplesmente esperar que passe com a idade e com o poder da “sorte”.
O processo de crescimento do Ser Humano nunca se dissocia de Aprendizagem e como tal, poderá não ser justo esperar-se de um filho, mesmo que de um bebé se trate, capacidades, conquistas e aprendizagens, quando estas não foram ensinadas de forma continuada e persistida, com Amor e resiliência! Para ensinar é preciso dar a oportunidade continuada de prática, combinada com uma rotina, e uma forte relação de confiança que respeite, e reforço, respeite as necessidades físicas e emocionais do bebé (sempre ajustadas à sua idade e peso). Para tal, medidas em prevenção podem e devem ser desenvolvidas, e tem sido esse o meu trabalho aprofundado no campo, ao longo de vários anos com resultados que poderão facilmente comprovar a teoria exposta.
Uma forte barreira ao ensino ou intervenção precoce neste sentido, fora de um quadro patológico, é a tendência dos pais, levados pela avaliação do tamanho físico (pequenez física), considerarem uma noção de incapacidade e incompreensão por parte do bebé, e que este poderá não estar preparado para lidar com o sono. No entanto, é importante que saiba que o bebé, nunca estará preparado para estas aprendizagens básicas, caso não se dê essa oportunidade orientada e continuada. No fundo, adormecer constantemente um bebé, é inadvertidamente, privá-lo de se preparar, aprender a lidar, fortalecer e melhorar a sua vivência neste campo, com uma verdade expectável e desejável para o seu próprio bem, normal e segura ao longo do seu crescimento. Quanto desde mais cedo se começar essa preparação, mais natural, menor desilusão, choque ou sofrimento para o bebé, e melhores hábitos de sono protegido e profundo. Em suma, sono qualitativo e contínuo enraizado por mais tempo.
Ao não se ensinar o bebé, todos os dias, a sentir-se seguro para conciliar o seu sono de forma gradualmente mais autónoma, está a privar-se o bebé não só de aprender a adormecer, como a readormecer, sempre que necessário, de uma forma simples, descomplicada, rápida e tranquila. Este “exercício” é apoiado por estudos, e resultado de inúmeras observações, como sendo uma aprendizagem fundamental para o sono mais qualitativo do bebé. Sem esquecer que o “sono do bebé” é a matriz para um bom desenvolvimento, e que a sua qualidade influencia também o bem-estar enquanto acordado, promovendo as melhores experiências e percepções, nos alicerces da sua vida Humana.
Para muitos pais, isto será algo que consideram muito difícil, mas garanto que não dará mais trabalho do que adormecer continuamente um bebé ao longo do seu desenvolvimento, e deixar, pela força do acaso, que certas conquistas se dêem, e certos problemas de sono interrompido cessem, quando já acumulados com outras questões. É preciso considerar capaz! É preciso ensinar! Para ensinar é preciso conhecer, e para conhecer é preciso trabalhar uma relação de confiança, em especial com vidas recentes a descobrir e a tomar parte da formação.
É bom frisar, que sendo um aspecto crucial, o trabalho de promover  e proteger o  bom sono do bebé, ou criança, ao longo do seu desenvolvimento, começando desde cedo, não se centra apenas na aprendizagem do seu adormecer autónomo como o passaporte exclusivo para que durma bem hoje e amanhã. Em alguns casos, apenas este aspecto mostrar-se-á incompleto para o objectivo do sono contínuo e qualitativo, sendo por isso sempre necessário a coordenação com outras medidas e campos relevantes do seu desenvolvimento. Mas, o “adormecer sozinho” será um dos mais importantes factores de sucesso para o bom sono, e em muitos casos, “a cereja no topo do bolo”

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Mas afinal para que conta o Sono?

P.:Mas afinal para que conta o Sono?
R.:Melhor tempo acordado!

Mais do que pais e bebés descansados, querem-se famílias felizes e saudáveis!

É importante poder compreender, que não se trata apenas de quanto tempo passamos com quem mais gostamos, mas sim e essencialmente, a forma como vivemos esse tempo, e investimos na construção de uma relação, desde a própria base. A qualidade dessa relação tem em si uma capacidade de influenciar a primeira infância, enquanto o alicerce emocional de um adulto estruturado!

Ensinar o bebé a dormir, é apenas um dos veículos indispensáveis para potenciar maior qualidade ao tempo que o bebé passa acordado. Quer dar-se o melhor cartão de visita deste mundo ao "nosso" novo Ser!

Ensinar a dormir, e os esforços que são feitos para manter um bom sono ao longo do desenvolvimento, servem então por excelência a qualidade do tempo de actividade, das experiências que o cérebro do bebé vive e armazena, na sua própria estrutura, e que são em si alicerces, sejam emocionais, afectivos ou cognitivos.

Quanto mais qualitativas essas experiências, maior, por sua vez, a sua implicação benéfica na própria qualidade e duração do sono, afectando directamente o bem estar em todos os campos relevantes do desenvolvimento do bebé. É um ciclo vicioso que se deseja benéfico e em prol do bebé, sem esquecer a importante capacidade dos pais para manter a boa experiência. Ou seja, para terem sempre paciência para dar o melhor, enquanto o bebé está acordado.

Melhor tempo acordado... Algumas sugestões:


# Não ligue a televisão logo quando chega a casa!

A presença de uma televisão ligada vai desviar a sua atenção, e a dos seus filhos, daquilo que realmente importa! Além de ser um elemento que incita a desconcentração, cria hábito de interacção passiva! O foco deve estar na relação e na qualidade da interacção, e o hábito deve vir desde cedo. De forma bastante unanime, todos os estudos feitos acerca da exposição à TV, e outros aparelhos mais recentes, como  ipads ou smartphones portáteis, recomendam a protecção do bebé até aos 24 meses, pela sua ligação ao déficit de atenção e potencial hiperactividade.

Leia também http://crescer.sapo.pt/bebe/perguntas-frequentes/os-bebes-e-a-televisao


# Ouça música com os seus filhos!

Para além de ser uma excelente ferramenta nos rituais de acalmar, a música pode e deverá estar presente em momentos de lazer! São muitos os estudos que comprovam a importância das melodias para o desenvolvimento, e pode ser muito divertido dançar com a criança, ou simplesmente interagir com o seu bebé, ao som de música. Os sons irão contribuir para o desabrochar de vários estados de espirito e raciocínio, através dos varios tipos de ritmo, e conjunto de instrumentos e melodias.

Leia mais em http://everydaylife.globalpost.com/music-helps-brain-development-infants-1600.html


# Escolha brincadeiras divertidas que promovam a relação, mas também as conquistas pessoais do bebé!

Muitas vezes os pais queixam-se que, à hora que chegam a casa, já não têm tempo para brincar com os filhos! No entanto, podem tornar momentos do quotidiano, mais divertidos para todos. Por exemplo, nomeando as partes do corpo da criança, enquanto esta se veste, deixando o bebé acompanhar nas tarefas domésticas, e até aproveitando a hora do banho para promover a interacção. Ensinar as partes do corpo, os sons dos animais, a mimica de várias palavras, etc.. Mais do que apenas e sempre brincar com o bebé, é também importante dar ao bebé recursos para que possa desenvolver as suas aptidões, ensinando-o também a brincar!


#  Converse com o seu bebé! E converse de verdade, de pessoa para pessoa!

Deve-se falar com o bebé sempre que possível: no carro, a caminho da creche, durante as refeições, no banho, etc. "Fazer a legenda de tudo" é uma forma muito fácil de aprofundar o laço de confiança, quando tornada num bom hábito e quando as palavras de facto referenciam o que está a acontecer ou vai acontecer. No entanto, falar com ele de forma adequada também é importante. É comum ver os pais a falarem "bebezês" ou  falarem muitas palavras e muito depressa. No segundo caso, põem inadvertidamente o bebé "a mil", como sem querer, dificultam a sua tarefa  em associar o som das palavras às situações, e assim melhor reconhecê-las. A cadência e a velocidade das palavras escolhidas, a linguagem corporal e até mesmo a própria respiração,  podem contribuir tanto para a calma e segurança, como no oposto, para a impaciência, insegurança e ansiedade.

Leia mais em http://crescer.sapo.pt/bebe/perguntas-frequentes/como-construir-uma-relacao-de-confianca-com-o-seu-bebe-peca-matriz-para-o-sono/2




# Quando fala com o seu bebé/criança, veja-a nos seus olhos!

A ideia não é falar só com a "apresentação fisica" do seu bebé e sim com algo igualmente inerente e particular a cada Ser Humano. Falo da sua Alma, ou lado espiritual.  Não se esqueça que não somos só um corpo físico, somos um corpo espiritual! O vínculo agradece!
Além de que são muitos os estudos que comprovam a importância do contacto visual para o fortalecimento das relações de confiança, olhar de verdade o outro é mostrar que estamos completamente disponíveis para o receber no nosso mundo, o aceitamos, e desejamos compreendê-lo. Olhar o bebé nos olhos e ter uma conversa de quem considera o bebé um indivíduo exclusivo e não apenas um Ser mais pequeno ou um pertence, respeitando, obviamente, a sua disponibilidade para a interacção, pode ser muito importante no enraizamento da sintonia da relação.


# Hora SÓ da refeição!

Aproveite as horas de refeição para estar completamente disponível para os seus filhos, reduzindo qualquer outro tipo de estímulos, interagindo e conversando com eles, ensinando a comer bem, a estar e a ouvir!


# Seja a inspiração emocional do seu bebé!

Ensine a reagir às pequenas adversidades, lembrando-se que são as suas as verdadeiras guias modelo! Veja essa influencia como uma conduta positiva ao nível de um privilégio que lhe foi concedido ao ser escolhida para Mãe, em vez de a encarar com medo por ser uma grande responsabilidade. Quando o bebé chora nalguma adversidade apresente-lhe novas soluções emocionais além do que ele já está a manifestar. Ele por certo que não vai precisar de comiseração, ou de se sentir ainda mais "coitado" pelo que sente- isso enfraquece o espírito e intensifica o seu desconforto! Apresente-lhe uma nova solução, e pode bastar uma resposta em tom positivo e relaxado, com um sorriso.


# Dê abraços e mimos, mas ajude o bebé organizar-se emocionalmente e a estruturar-se nos "primórdios" da sua inteligência emocional!

Misturar tudo pode dar problemas.
O contacto físico é vital além de que pode ser muito estimulante, especialmente se se for desejado, e se existir a disponibilidade do outro para o receber! Não devemos ser intrusivos e sim respeitar também o desejo do outro! No entanto, abraçar os nossos filhos e demonstrar-lhes diariamente em várias circunstâncias, o quanto gostamos deles, é essencial para alicerçar a relação de confiança, factor indispensável para a noção de segurança e qualidade do sono! Lembre-se de usar sensatez, os abraços e os mimos são ESSENCIAIS, mas não devem só existir no momento exclusivo do sono, ou apenas quando o bebé chora.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O "bombo da Festa"!

O Sono é o bombo da Festa! Mas é apenas um dos campos relevantes do melhor desenvolvimento do bebé. Assume, no entanto, um papel matricial, de crivo.... Tem as "costas largas" e normalmente é ele que "paga as contas"! Seja de alimentação desregulada, de actividade desadequada, de problemas de comportamento, etc., etc., etc. Interessante é observar a relação que o bom ou o mau sono têm também com todos os outros os campos relevantes do desenvolvimento do bebé... O bom e mau sono possuem a capacidade inversa de influenciar a globalidade destes aspectos! A dinâmica de influência é multidireccional e retroactiva, uma verdadeira "pérola" de estudo e investigação! Deixe-se apaixonar pelo tema, ao mesmo tempo que investe no melhor desenvolvimento do seu bebé, e aposta na qualidade de vida de toda a família.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Saiba identificar mais estes Mitos sobre o Sono do bebé!



#Mito 6:  Se o bebé acorda durante a noite, de certeza que está com fome!


O despertar durante a noite por parte de um bebé, começa normalmente com essa causa exclusiva, e é normal. Seria necessário regular as expectativas dos Pais, se estes quisessem que um bebé de 15 dias não acordasse, pelo menos,  2 vezes para mamar durante a madrugada. Mas é importante que se possa analisar a idade, o peso, e o contexto diurno da sua rotina, para perceber se é apenas essa causa que o fará repetir o despertar. É verdade que em termos de histórico é a causa fome, quando não resolvida desde cedo (através de um plano continuado ao longo do desenvolvimento), que pode incentivar o relógio biológico para despertar à medida que se cresce, mesmo para além dos 12 meses. Se com 2 meses era mesmo fome, não é linear que seja apenas fome aos 9 meses(isto especialmente caso se tenham aplicado medidas seguras e graduais na preparação do desmame nocturno desde cedo). A fome é então, apenas umas das 7 principais causas incentivam o despertar da noite do bebé. No entanto, sem essa variável resolvida, fica difícil separar as restantes causas e resolvê-las na raiz. 


#Mito 7: Os dentes a nascer não o deixam dormir nada!

Despertar várias vezes com episódios de desconforto podem ocorrer, em especial em dias pontuais de extremo desconforto. Mas caso se tenha seguido um plano coerente e actualizado de orientação do sono, actividade, alimentação e comportamento, e o sono esteja a seguir um padrão regular continuo, sem alterações nos hábitos de base de percepção de segurança, os dentes não devem ser  responsabilizados continuamente pelos problemas do sono.


#Mito 8: Silêncio! O bebé está dormir!

Os bebés poderão aprender a reagir ou a não reagir ao barulho normal da vivência aqui neste mundo! É esse conjunto de barulhos que deve ser considerado o verdadeiro "white noise".... Daí que não sou a favor de se usar sons que possam ter que reproduzir o artificio, quando a realidade já o oferece. Barulhos como os da sua casa, da sua família, dos carros, de musica, de máquinas, etc. serão aqueles aos quais o bebé estará diariamente a aprender a reagir ou a não reagir. Aprenderá a fazê-lo de acordo com a reacção que os pais possam fazer desse barulho. Caso os pais mostrem que não é para desistir de dormir em tais condições, os bebés têm a capacidade de aprender a dormir ignorando naturalmente o desconforto, que inicialmente poderão ter sentido, quando não sabiam reagir a tantos barulhos! É fascinante o que a regulação emocional das reacções dos pais, podem fazer no campo perceptual e reactivo do bebé!



#Mito 9: O sono do bebé melhora com a idade!

O que de facto vai melhorando é o diferencial de necessidade de tempo a dormir, o que fará do problema de não estar a dormir o suficiente, algo a melhorar e a contribuir para o próximo sono mais tranquilo. Isto porque quanto menos sono o bebé fizer para o que precisa de dormir, pior é o sono que fará no momento seguinte. 


#Mito 10: O bebé saberá dormir o que precisa!


Compreendermos que uma criança de 2 anos poderá não saber dizer quando é a melhor altura para acalmar, comer, o que deve comer e quanto deve comer, quando dormir, quando parar de brincar. Como podemos esperar que um bebé, com menos experiência e tempo de vida, o saiba? Caso se estabeleça uma rotina meramente baseada no ritmo errático do bebé, este terá dificuldade em orientar-se nas 24h, e reconhecer os padrões de postura, ou as suas necessidades de sono e alimentação. O mundo interessa-lhe, e mesmo com sono, poderá por vezes sorrir e demonstrar-se mais predisposto a explorar. Veremos se depois esse interesse se mantém com qualidade, ou se por ter dormido pouco, na sesta anterior por exemplo, o bebé não fica rabugento e  retira pouca qualidade da experiência.




sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Fortalecer a confiança ou exclusiva dependência?

Não se querem bebés autónomos, muito menos à força ou de forma artificial, isso seria ridículo e injusto! Mas existem pequenas conquistas de autonomia básica, muito importantes para o seu bem estar interno : "Muitas vezes é confundida pelos pais a ideia de criar uma boa relação com o excesso de zelo, ou que para demonstrar afeto se tenha que andar com o bebé sempre ao colo ou de o adormecer nos braços. O bebé tem um grande potencial de aprendizagem e se, por exemplo, aprender apenas a sentir-se seguro no colo da mãe ou a depender sempre deste para se acalmar e adormecer (ou ‪#‎readormecer‬), não se sentirá apto a desenvolver as suas pequenas explorações muito longe dele. Inadvertidamente, esta tendência vai contribuir para mais situações de desconforto e choro sempre que houver a necessidade de pequenas e seguras separações-

 – seja quando a mãe sai da divisão, ou de manhã quando sai de casa para ir trabalhar, ou até mesmo a separação necessária para dormir. Pelo contrário, sentindo confiança na relação, o bebé vai tendo movimentos de afastamento e aproximação sucessivos, autonomizando-se progressivamente" nas suas conquistas mais básicas, fortalecendo assim a sua auto-confiança e também fortalecendo a sua noção de segurança no mundo! 
Excerto do meu artigo feito em parceria com a Psicóloga Dra Ana Trindade: " Como construir uma relação de confiança com o seu bebé- peça matriz para o sono"