segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Causas que incentivam e enraízam o despertar na madrugada - Parte III:Conciliar o sono de forma demasiado dependente



Quando os Pais adormecem o seu bebé, é bom que possam saber que quem adormece, efectivamente, é o bebé! Adormecer é uma acção e prática pessoal e intransmissível! Mesmo que os pais sejam membros activos na condução da conciliação do sono dos seus filhos. esta conquista por parte do bebé poderá fortalecer o seu conhecimento e autonomia, neste campo!
Mesmo que aos seus olhos pareça pouco tempo para se enraizarem conhecimentos e hábitos, os poucos meses de vida do bebé, são tudo o que ele tem de experiência e conhecimento! Se apenas e exclusivamente consolidar a aprendizagem de ser adormecido, ou seja, induzido no sono através de acções alheias à prática física e interna dos seus mecanismos próprios, é normal que venha a apresentar pouca facilidade em adormecer e principalmente, em readormecer. Irá instalar-se uma genuína necessidade (e não uma manha como se gosta de acreditar de forma popular), construída com base nessas referências ou expectativas.
É típico que no início, os pais se possam esquecer da importância de orientar e regular o bebé, canalizando a sua energia para tentar perceber o que se passa e agindo por reacção em vez de pro-acção. É uma atitude normal e importante de conhecimento, mas quando levada ao extremo, inverte a ordem natural de quem de facto precisa de ser orientado neste novo contexto. Ao invés de acolher as suas acções/reacções, e atribuir-lhes significado, os pais podem manter por demasiado tempo a resposta de curto prazo no atendimento às necessidades do bebé. Isso gera inadvertidamente um dos hábitos mais comprometedores da educação e que se manifesta deste muito cedo, no sono. Mas no fundo, e sem intenção disso, estes Pais dedicados, iniciam algo que não desejam prolongar, e, quando muitas vezes assumem que poderá haver um problema, é comum que certos maus hábitos no sono já estejam discretamente enraizados.
Exemplos como adormecer ao colo, com embalo, toque (festinhas, palmadinhas), companhia, à “mama” ou biberon, carrinhos de passeio, ou mesmo uma combinação baralhada de todas estas possibilidades, são algumas soluções de induzir o sono e soluções de curto prazo, que dão, inevitavelmente, uma percepção ao bebé, de que para dormir, qualquer um destes recursos pode ser necessário, e que destes está dependente! No entanto, são todos métodos de adormecer que não podem ser, na sua maioria, mantidos na duração ideal do sono ou crescimento do bebé, incentivando assim o estado de alerta para dormir, e a demarcação do despertar.
Porque serão então estas soluções para adormecer, causa do despertar à noite?
Se são estas as únicas “soluções” que o bebé reconhece e pratica para conciliar o sono, as mesmas agem também como um “incentivo” ao seu demarcar de despertar na noite. O sono é feito por ciclos de 45 minutos, e cada ciclo no seu fim (e início) é feito de fases de sono leve, onde o bebé pode despertar muito facilmente. Nem sempre o despertar é demarcado com choro (e aí muitas vezes os pais nem sabem se o bebé acordou ou não), mas caso o bebé interiorize que o processo de readormecer precisa de mais meios dos que este poderá accionar autonomamente, tenderá inevitavelmente a manifestar-se por hábito e nessa expectativa. Ou seja, em vez de simplesmente suspirar e entrar num novo ciclo, o bebé esperará algo, manifestando essa expectativa (e mais tarde manifestando uma genuína necessidade de segurança) através de choro.  
Não se pode esperar que o bebé saiba reconhecer que precisa de dormir, mesmo que seja a meio da noite, pois ele é naturalmente interessado por tudo o que lhe for oferecido, independentemente das horas. Caso as soluções oferecidas para adormecer ou readormecer, possam evitar que pratique o seu mecanismo interno de adormecer, ou venham mesmo inadvertidamente a agir como estimulantes e interessantes acontecimentos àquela hora, poderá ser complicado voltar a readquirir a calma necessária para readormecer rapidamente. Isso é algo que se confirma ser comum, quando a “metodologia” para pôr a dormir utilizada pelos pais, passa por “embalar com movimento”, uso de luz, deslocar de ambientes (por exemplo ir do quarto para a sala, passar para o carrinho, ou mesmo sair do berço para a cama dos pais, etc).
Nestas circunstâncias, à medida que o bebé cresce, poderá desenvolver e associar insegurança face ao local berço durante a noite (pois associa que quando tem dificuldade e chora, tem de sair imediatamente dali, como solução para o problema), poderão também intensificar-se as ocorrências de choro e aparente luta para dormir, sempre na mesma circunstância. Com a idade, e o aumento da consciência do bebé, é comum que as consequências de o adormecer em exclusiva dependência, em vez de o ensinar a dormir de forma despojada de expectativas e necessidades criadas artificialmente, tornem o sono cada vez mais difícil.
Observo, em variadíssimos casos, que é típico o bebé deixar de querer adormecer, em especial a partir dos 9 meses( combinando com fase típica de “ansiedade normal de separação”, num contexto histórico de sono dependente. Esta situação tende a piorar nesta fase, pois o bebé não se sente seguro no processo de dormir, consciencializando cada vez mais da dependência de companhia para o fazer. Percebe também, que quando adormece perde a noção do que está acontecer à sua volta, e que a “solução” que o deixa seguro para adormecer em primeira instância (companhia, toque, colo, etc.) não é constante e controlável, pois pode sair dali a qualquer momento, em especial quando ele não dá conta( pois adormeceu entretanto). É como se pairasse para o bebé a mensagem no ar: “o sono não é de se fiar, pois coisas importantes e incorrectas podem acontecer!”
Caso estas “metodologias” de adormecer e readormecer o bebé, consideradas de “curto prazo”, não sejam identificadas, isoladas das outras variáveis (que demarcam e enraízam o despertar e apresentadas no conjunto deste artigo “base”) e assim resolvidas, poderão, mês após mês, vir a enraizar-se igualmente no relógio biológico do bebé. Estas interrupções do sono impedem não só o descanso da família, como dificultam de forma padronizada o aprofundamento das fases de sono profundo, podendo arrastar-se para idades seguintes. O bebé poderá ficar “internamente programado para acordar”, e isto, simplesmente, porque sempre o fez, noite após noite, desde que se conhece. No entanto, mesmo estando os pais conscientes destas consequências, poderão sentir que não têm outra escolha senão aplicar o que sempre fizeram e viram fazer, experimentar de tudo um pouco, administrar fármacos, ou simplesmente esperar que passe com a idade e com o poder da “sorte”.
O processo de crescimento do Ser Humano nunca se dissocia de Aprendizagem e como tal, poderá não ser justo esperar-se de um filho, mesmo que de um bebé se trate, capacidades, conquistas e aprendizagens, quando estas não foram ensinadas de forma continuada e persistida, com Amor e resiliência! Para ensinar é preciso dar a oportunidade continuada de prática, combinada com uma rotina, e uma forte relação de confiança que respeite, e reforço, respeite as necessidades físicas e emocionais do bebé (sempre ajustadas à sua idade e peso). Para tal, medidas em prevenção podem e devem ser desenvolvidas, e tem sido esse o meu trabalho aprofundado no campo, ao longo de vários anos com resultados que poderão facilmente comprovar a teoria exposta.
Uma forte barreira ao ensino ou intervenção precoce neste sentido, fora de um quadro patológico, é a tendência dos pais, levados pela avaliação do tamanho físico (pequenez física), considerarem uma noção de incapacidade e incompreensão por parte do bebé, e que este poderá não estar preparado para lidar com o sono. No entanto, é importante que saiba que o bebé, nunca estará preparado para estas aprendizagens básicas, caso não se dê essa oportunidade orientada e continuada. No fundo, adormecer constantemente um bebé, é inadvertidamente, privá-lo de se preparar, aprender a lidar, fortalecer e melhorar a sua vivência neste campo, com uma verdade expectável e desejável para o seu próprio bem, normal e segura ao longo do seu crescimento. Quanto desde mais cedo se começar essa preparação, mais natural, menor desilusão, choque ou sofrimento para o bebé, e melhores hábitos de sono protegido e profundo. Em suma, sono qualitativo e contínuo enraizado por mais tempo.
Ao não se ensinar o bebé, todos os dias, a sentir-se seguro para conciliar o seu sono de forma gradualmente mais autónoma, está a privar-se o bebé não só de aprender a adormecer, como a readormecer, sempre que necessário, de uma forma simples, descomplicada, rápida e tranquila. Este “exercício” é apoiado por estudos, e resultado de inúmeras observações, como sendo uma aprendizagem fundamental para o sono mais qualitativo do bebé. Sem esquecer que o “sono do bebé” é a matriz para um bom desenvolvimento, e que a sua qualidade influencia também o bem-estar enquanto acordado, promovendo as melhores experiências e percepções, nos alicerces da sua vida Humana.
Para muitos pais, isto será algo que consideram muito difícil, mas garanto que não dará mais trabalho do que adormecer continuamente um bebé ao longo do seu desenvolvimento, e deixar, pela força do acaso, que certas conquistas se dêem, e certos problemas de sono interrompido cessem, quando já acumulados com outras questões. É preciso considerar capaz! É preciso ensinar! Para ensinar é preciso conhecer, e para conhecer é preciso trabalhar uma relação de confiança, em especial com vidas recentes a descobrir e a tomar parte da formação.
É bom frisar, que sendo um aspecto crucial, o trabalho de promover  e proteger o  bom sono do bebé, ou criança, ao longo do seu desenvolvimento, começando desde cedo, não se centra apenas na aprendizagem do seu adormecer autónomo como o passaporte exclusivo para que durma bem hoje e amanhã. Em alguns casos, apenas este aspecto mostrar-se-á incompleto para o objectivo do sono contínuo e qualitativo, sendo por isso sempre necessário a coordenação com outras medidas e campos relevantes do seu desenvolvimento. Mas, o “adormecer sozinho” será um dos mais importantes factores de sucesso para o bom sono, e em muitos casos, “a cereja no topo do bolo”

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Mas afinal para que conta o Sono?

P.:Mas afinal para que conta o Sono?
R.:Melhor tempo acordado!

Mais do que pais e bebés descansados, querem-se famílias felizes e saudáveis!

É importante poder compreender, que não se trata apenas de quanto tempo passamos com quem mais gostamos, mas sim e essencialmente, a forma como vivemos esse tempo, e investimos na construção de uma relação, desde a própria base. A qualidade dessa relação tem em si uma capacidade de influenciar a primeira infância, enquanto o alicerce emocional de um adulto estruturado!

Ensinar o bebé a dormir, é apenas um dos veículos indispensáveis para potenciar maior qualidade ao tempo que o bebé passa acordado. Quer dar-se o melhor cartão de visita deste mundo ao "nosso" novo Ser!

Ensinar a dormir, e os esforços que são feitos para manter um bom sono ao longo do desenvolvimento, servem então por excelência a qualidade do tempo de actividade, das experiências que o cérebro do bebé vive e armazena, na sua própria estrutura, e que são em si alicerces, sejam emocionais, afectivos ou cognitivos.

Quanto mais qualitativas essas experiências, maior, por sua vez, a sua implicação benéfica na própria qualidade e duração do sono, afectando directamente o bem estar em todos os campos relevantes do desenvolvimento do bebé. É um ciclo vicioso que se deseja benéfico e em prol do bebé, sem esquecer a importante capacidade dos pais para manter a boa experiência. Ou seja, para terem sempre paciência para dar o melhor, enquanto o bebé está acordado.

Melhor tempo acordado... Algumas sugestões:


# Não ligue a televisão logo quando chega a casa!

A presença de uma televisão ligada vai desviar a sua atenção, e a dos seus filhos, daquilo que realmente importa! Além de ser um elemento que incita a desconcentração, cria hábito de interacção passiva! O foco deve estar na relação e na qualidade da interacção, e o hábito deve vir desde cedo. De forma bastante unanime, todos os estudos feitos acerca da exposição à TV, e outros aparelhos mais recentes, como  ipads ou smartphones portáteis, recomendam a protecção do bebé até aos 24 meses, pela sua ligação ao déficit de atenção e potencial hiperactividade.

Leia também http://crescer.sapo.pt/bebe/perguntas-frequentes/os-bebes-e-a-televisao


# Ouça música com os seus filhos!

Para além de ser uma excelente ferramenta nos rituais de acalmar, a música pode e deverá estar presente em momentos de lazer! São muitos os estudos que comprovam a importância das melodias para o desenvolvimento, e pode ser muito divertido dançar com a criança, ou simplesmente interagir com o seu bebé, ao som de música. Os sons irão contribuir para o desabrochar de vários estados de espirito e raciocínio, através dos varios tipos de ritmo, e conjunto de instrumentos e melodias.

Leia mais em http://everydaylife.globalpost.com/music-helps-brain-development-infants-1600.html


# Escolha brincadeiras divertidas que promovam a relação, mas também as conquistas pessoais do bebé!

Muitas vezes os pais queixam-se que, à hora que chegam a casa, já não têm tempo para brincar com os filhos! No entanto, podem tornar momentos do quotidiano, mais divertidos para todos. Por exemplo, nomeando as partes do corpo da criança, enquanto esta se veste, deixando o bebé acompanhar nas tarefas domésticas, e até aproveitando a hora do banho para promover a interacção. Ensinar as partes do corpo, os sons dos animais, a mimica de várias palavras, etc.. Mais do que apenas e sempre brincar com o bebé, é também importante dar ao bebé recursos para que possa desenvolver as suas aptidões, ensinando-o também a brincar!


#  Converse com o seu bebé! E converse de verdade, de pessoa para pessoa!

Deve-se falar com o bebé sempre que possível: no carro, a caminho da creche, durante as refeições, no banho, etc. "Fazer a legenda de tudo" é uma forma muito fácil de aprofundar o laço de confiança, quando tornada num bom hábito e quando as palavras de facto referenciam o que está a acontecer ou vai acontecer. No entanto, falar com ele de forma adequada também é importante. É comum ver os pais a falarem "bebezês" ou  falarem muitas palavras e muito depressa. No segundo caso, põem inadvertidamente o bebé "a mil", como sem querer, dificultam a sua tarefa  em associar o som das palavras às situações, e assim melhor reconhecê-las. A cadência e a velocidade das palavras escolhidas, a linguagem corporal e até mesmo a própria respiração,  podem contribuir tanto para a calma e segurança, como no oposto, para a impaciência, insegurança e ansiedade.

Leia mais em http://crescer.sapo.pt/bebe/perguntas-frequentes/como-construir-uma-relacao-de-confianca-com-o-seu-bebe-peca-matriz-para-o-sono/2




# Quando fala com o seu bebé/criança, veja-a nos seus olhos!

A ideia não é falar só com a "apresentação fisica" do seu bebé e sim com algo igualmente inerente e particular a cada Ser Humano. Falo da sua Alma, ou lado espiritual.  Não se esqueça que não somos só um corpo físico, somos um corpo espiritual! O vínculo agradece!
Além de que são muitos os estudos que comprovam a importância do contacto visual para o fortalecimento das relações de confiança, olhar de verdade o outro é mostrar que estamos completamente disponíveis para o receber no nosso mundo, o aceitamos, e desejamos compreendê-lo. Olhar o bebé nos olhos e ter uma conversa de quem considera o bebé um indivíduo exclusivo e não apenas um Ser mais pequeno ou um pertence, respeitando, obviamente, a sua disponibilidade para a interacção, pode ser muito importante no enraizamento da sintonia da relação.


# Hora SÓ da refeição!

Aproveite as horas de refeição para estar completamente disponível para os seus filhos, reduzindo qualquer outro tipo de estímulos, interagindo e conversando com eles, ensinando a comer bem, a estar e a ouvir!


# Seja a inspiração emocional do seu bebé!

Ensine a reagir às pequenas adversidades, lembrando-se que são as suas as verdadeiras guias modelo! Veja essa influencia como uma conduta positiva ao nível de um privilégio que lhe foi concedido ao ser escolhida para Mãe, em vez de a encarar com medo por ser uma grande responsabilidade. Quando o bebé chora nalguma adversidade apresente-lhe novas soluções emocionais além do que ele já está a manifestar. Ele por certo que não vai precisar de comiseração, ou de se sentir ainda mais "coitado" pelo que sente- isso enfraquece o espírito e intensifica o seu desconforto! Apresente-lhe uma nova solução, e pode bastar uma resposta em tom positivo e relaxado, com um sorriso.


# Dê abraços e mimos, mas ajude o bebé organizar-se emocionalmente e a estruturar-se nos "primórdios" da sua inteligência emocional!

Misturar tudo pode dar problemas.
O contacto físico é vital além de que pode ser muito estimulante, especialmente se se for desejado, e se existir a disponibilidade do outro para o receber! Não devemos ser intrusivos e sim respeitar também o desejo do outro! No entanto, abraçar os nossos filhos e demonstrar-lhes diariamente em várias circunstâncias, o quanto gostamos deles, é essencial para alicerçar a relação de confiança, factor indispensável para a noção de segurança e qualidade do sono! Lembre-se de usar sensatez, os abraços e os mimos são ESSENCIAIS, mas não devem só existir no momento exclusivo do sono, ou apenas quando o bebé chora.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O "bombo da Festa"!

O Sono é o bombo da Festa! Mas é apenas um dos campos relevantes do melhor desenvolvimento do bebé. Assume, no entanto, um papel matricial, de crivo.... Tem as "costas largas" e normalmente é ele que "paga as contas"! Seja de alimentação desregulada, de actividade desadequada, de problemas de comportamento, etc., etc., etc. Interessante é observar a relação que o bom ou o mau sono têm também com todos os outros os campos relevantes do desenvolvimento do bebé... O bom e mau sono possuem a capacidade inversa de influenciar a globalidade destes aspectos! A dinâmica de influência é multidireccional e retroactiva, uma verdadeira "pérola" de estudo e investigação! Deixe-se apaixonar pelo tema, ao mesmo tempo que investe no melhor desenvolvimento do seu bebé, e aposta na qualidade de vida de toda a família.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Saiba identificar mais estes Mitos sobre o Sono do bebé!



#Mito 6:  Se o bebé acorda durante a noite, de certeza que está com fome!


O despertar durante a noite por parte de um bebé, começa normalmente com essa causa exclusiva, e é normal. Seria necessário regular as expectativas dos Pais, se estes quisessem que um bebé de 15 dias não acordasse, pelo menos,  2 vezes para mamar durante a madrugada. Mas é importante que se possa analisar a idade, o peso, e o contexto diurno da sua rotina, para perceber se é apenas essa causa que o fará repetir o despertar. É verdade que em termos de histórico é a causa fome, quando não resolvida desde cedo (através de um plano continuado ao longo do desenvolvimento), que pode incentivar o relógio biológico para despertar à medida que se cresce, mesmo para além dos 12 meses. Se com 2 meses era mesmo fome, não é linear que seja apenas fome aos 9 meses(isto especialmente caso se tenham aplicado medidas seguras e graduais na preparação do desmame nocturno desde cedo). A fome é então, apenas umas das 7 principais causas incentivam o despertar da noite do bebé. No entanto, sem essa variável resolvida, fica difícil separar as restantes causas e resolvê-las na raiz. 


#Mito 7: Os dentes a nascer não o deixam dormir nada!

Despertar várias vezes com episódios de desconforto podem ocorrer, em especial em dias pontuais de extremo desconforto. Mas caso se tenha seguido um plano coerente e actualizado de orientação do sono, actividade, alimentação e comportamento, e o sono esteja a seguir um padrão regular continuo, sem alterações nos hábitos de base de percepção de segurança, os dentes não devem ser  responsabilizados continuamente pelos problemas do sono.


#Mito 8: Silêncio! O bebé está dormir!

Os bebés poderão aprender a reagir ou a não reagir ao barulho normal da vivência aqui neste mundo! É esse conjunto de barulhos que deve ser considerado o verdadeiro "white noise".... Daí que não sou a favor de se usar sons que possam ter que reproduzir o artificio, quando a realidade já o oferece. Barulhos como os da sua casa, da sua família, dos carros, de musica, de máquinas, etc. serão aqueles aos quais o bebé estará diariamente a aprender a reagir ou a não reagir. Aprenderá a fazê-lo de acordo com a reacção que os pais possam fazer desse barulho. Caso os pais mostrem que não é para desistir de dormir em tais condições, os bebés têm a capacidade de aprender a dormir ignorando naturalmente o desconforto, que inicialmente poderão ter sentido, quando não sabiam reagir a tantos barulhos! É fascinante o que a regulação emocional das reacções dos pais, podem fazer no campo perceptual e reactivo do bebé!



#Mito 9: O sono do bebé melhora com a idade!

O que de facto vai melhorando é o diferencial de necessidade de tempo a dormir, o que fará do problema de não estar a dormir o suficiente, algo a melhorar e a contribuir para o próximo sono mais tranquilo. Isto porque quanto menos sono o bebé fizer para o que precisa de dormir, pior é o sono que fará no momento seguinte. 


#Mito 10: O bebé saberá dormir o que precisa!


Compreendermos que uma criança de 2 anos poderá não saber dizer quando é a melhor altura para acalmar, comer, o que deve comer e quanto deve comer, quando dormir, quando parar de brincar. Como podemos esperar que um bebé, com menos experiência e tempo de vida, o saiba? Caso se estabeleça uma rotina meramente baseada no ritmo errático do bebé, este terá dificuldade em orientar-se nas 24h, e reconhecer os padrões de postura, ou as suas necessidades de sono e alimentação. O mundo interessa-lhe, e mesmo com sono, poderá por vezes sorrir e demonstrar-se mais predisposto a explorar. Veremos se depois esse interesse se mantém com qualidade, ou se por ter dormido pouco, na sesta anterior por exemplo, o bebé não fica rabugento e  retira pouca qualidade da experiência.




sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Fortalecer a confiança ou exclusiva dependência?

Não se querem bebés autónomos, muito menos à força ou de forma artificial, isso seria ridículo e injusto! Mas existem pequenas conquistas de autonomia básica, muito importantes para o seu bem estar interno : "Muitas vezes é confundida pelos pais a ideia de criar uma boa relação com o excesso de zelo, ou que para demonstrar afeto se tenha que andar com o bebé sempre ao colo ou de o adormecer nos braços. O bebé tem um grande potencial de aprendizagem e se, por exemplo, aprender apenas a sentir-se seguro no colo da mãe ou a depender sempre deste para se acalmar e adormecer (ou ‪#‎readormecer‬), não se sentirá apto a desenvolver as suas pequenas explorações muito longe dele. Inadvertidamente, esta tendência vai contribuir para mais situações de desconforto e choro sempre que houver a necessidade de pequenas e seguras separações-

 – seja quando a mãe sai da divisão, ou de manhã quando sai de casa para ir trabalhar, ou até mesmo a separação necessária para dormir. Pelo contrário, sentindo confiança na relação, o bebé vai tendo movimentos de afastamento e aproximação sucessivos, autonomizando-se progressivamente" nas suas conquistas mais básicas, fortalecendo assim a sua auto-confiança e também fortalecendo a sua noção de segurança no mundo! 
Excerto do meu artigo feito em parceria com a Psicóloga Dra Ana Trindade: " Como construir uma relação de confiança com o seu bebé- peça matriz para o sono"

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A Rotina e o Bom Senso

Ao longo de vários anos de experiência na resolução de causas difíceis, do mau sono, ou sono interrompido dos bebés, através de Observações Naturalistas e acompanhamento de evoluções no terreno, trago algumas considerações que gostaria de partilhar convosco!

Seria fácil concluir, pelas próprias mães e pais com quem tive o privilégio de colaborar neste processo, ou mesmo por vocês que me lêem, que os melhores planos de rotina, aqueles que de facto articulam vantagens a vários níveis, são os que protegem os bebés dos extremos de desconforto. 

Os extremos de desconforto, seja fome, cansaço ou insegurança, quando acontecem, o bebé já tem fraca capacidade, ou nenhuma, para se controlar, ou mesmo assimilar.... Seja a acalmar, seja em concentrar-se e ouvir, seja em qualquer conquista a melhorar para o seu próprio bem estar básico, ou máximo.
As melhores rotinas são as que são desenvolvidas a partir de uma observação das necessidades REAIS do bebé( versus as aparentes), e não devem ser pensadas em exclusivo, apenas na comodidade de quem cuida enquanto adulto com outras necessidades, como factor exclusivo e preponderante.(em especial quando se propõe resolver problemas enraízados manifestos no sono).

A verdade é que as necessidades reais do bebé estão lá na mesma, quer sejam encaradas como oportunidades ideais para agir, ou por outro lado, ignoradas - a verdade é que estão lá.
Poderá ser necessário um olhar mais experiente para as observar, ou não, mas certo é que o melhor dos dois mundos nem sempre é possível. Seja por horários profissionais incompatíveis dos Pais, indisponibilidade da Mãe com licenças encurtadas, seja por gestão familiar a melhorar, seja por uma infinita panóplia de razões.

"As rotinas ajudam a proteger o seu filho de grandes mudanças inesperadas, reforçam o sentimento de segurança,  e ajudam que este se acalme em situações imprevisíveis".

Caso sejam orientadas dentro dos horários saudáveis ( dentro do ritmo biológico saudável), será mais fácil a obtenção de benefícios, no entanto, desde que bem enraizados, mesmo fora desses horários, podem agir com a mesma eficácia....
...Todavia, os problemas enraizados de sono tendem a arrastar consigo problemas afectos à alimentação, qualidade de actividade, comportamento e mesmo ao nível da noção de segurança interna do bebé. Quando se quer recuperar, resolver, regular estas dificuldades de forma mais permanente, os horários saudáveis assumem um papel preponderante, mas apenas uma condição base e não a solução global em si- são um adjuvante.

Importa, que o bom senso predomine. O excesso de rotina baseado apenas no relógio, que ignore a observação dos sinais do bebé, de forma inflexível, e pouco empático por parte dos pais, pode anular estes benefícios mais tarde ou mais cedo.



No meu compromisso responsável com os Pais, quando sou chamada a resolver questões ao nível comportamental do sono, não consigo fazê-lo sem conhecer melhor cada caso, e as medidas exclusivas para um bem estar #MÁXIMO do bebé em causa.

O valor está todo em tornar essa harmonia visível e realmente sentida por todos em continuidade -e não apenas temporariamente. 

Para que o possa fazer com a maior segurança fisica e emocional, garantia, maior celeridade de resultados (por vezes com melhorias incríveis em apenas 1 ou 2 dias), e alargada permanência de resultados (mais de 6 meses), é ESSENCIAL e necessário respeitar as necessidades do bebé, sendo essa a condição base de partida!

"WIN WIN SITUATION"
Dessa forma, os ganhos são imensos!
Para além de mais bem dispostos, os bebés comem muito melhor, tornam-se mais seguros, e ganham maior concentração para conhecer melhor os pais e o mundo.

Os pais conseguem conhecer melhor o seu bebé, aprofundar o laço, mas usufruir dos seus serões como casal. Podem também repor as noites de sono e assim potenciar a sua qualidade profissional...mas para o caso e como o presente mais importante desta vida, enriquecer a sua qualidade parental  de ser Pais- o trabalho mais importante que nos é oferecido como uma benção. 

A Mãe e o Pai ganham VIDA- uma nova vida mais rica!

É caso para perguntar: Quando é que quer conhecer ainda melhor o seu bebé, e a rotina que melhor respeita as suas necessidades, como base de partida para se viver apenas a qualidade( do bebé e a dos Pais)

Saiba mais sobre os benefícios das rotinas, um artigo feito em parceria com a Psicóloga Clinica Dra. Ana Trindade : http://sonobebecarolinaalbino.blogspot.pt/2013/10/artigo-com-psicologa-ana-amaro-trindade.html

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Sinais de Sono: Prevenir em vez de Remediar!



O bebé quando está cansado emite sinais de sono, só alerta com choro quando já exausto.

Depois de entrar nesta espiral de choro, torna-se difícil conseguir sair dela, iniciando-se nesta altura o “ vale tudo” nos esforços dos pais para que o bebé durma, e o início dos hábitos comprometedores do sono.

É essencial estar atento a estes sinais de sono, e reconhecer bem os do seu filho, pois informam-nos que a janela de sono do bebé “está aberta”, sendo este o momento ideal para o bebé ser orientado num ritual de acalmar e ir dormir, de forma a evitar um grande descontrolo por parte do bebé.

Do nascimento aos 3 meses:

A forma como os recém-nascidos demonstram cansaço pode ser bastante diferente da de bebés mais velhos. Os seus movimentos corporais são controlados principalmente por ações reflexas. Por esta razão, os recém-nascidos podem ser menos óbvios a exibir as pistas que esperamos observar quando estão cansados. Demonstram o aumento dos níveis de agitação (descontrolo central). Alguns dos sinais que podem ser observados são:

• Agitação/descontrolo: agitar braços e pernas (movimentos involuntários dos membros; puxar para cima os joelhos; arquear as costas, cerrar os punhos; podem por vezes bater/arranhar, neles mesmos, quando estão já no extremo)
• Olhar (focando o olhar no vazio, desviando o olhar, virando a cabeça para longe ou para os lados)
• Bocejo
• Esfregar a cara no colo, ou encaracolar neste
• Buscar conforto por sucção

Dos 4 aos 12 meses:

Nesta idade, os bebés ganharam maior controlo sobre os seus braços e pernas, e já não exibem os movimentos dos membros frenéticos quando estão cansados. Sinais típicos de cansaço para essa faixa etária são:

• Agitação/descontrolo dos membros
• Esfregar os olhos ou nariz
• Puxar/mexer as orelhas ou cabelo
• Bocejar
•Procura de colo sem razão aparente

A partir dos 12 meses:

As crianças, a partir desta idade, são frequentemente muito ativas e muito curiosas. Irão ignorar os sentimentos de cansaço, porque não querem perder pitada da sua exploração deste mundo! Os primeiros sinais de cansaço nesta faixa etária incluem:

• Perda de coordenação( esbarrar em coisas, cair, derramar coisas (mais do habitual))
• Esfregar os olhos
• Bocejar
• Não conseguirem concentrar-se em nenhuma tarefa por mais de 1 minuto ou menos
• Quererem tudo e não quererem nada
• Nada os satisfaz momentaneamente - rabugice crónica
• Volatilidade emocional( ou riem à gargalhada, ou no segundo seguinte podem chorar)
•Podem também incluir comportamentos descritos na faixa etária de 3 a 12 meses