quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A Rotina e o Bom Senso

Ao longo de vários anos de experiência na resolução de causas difíceis, do mau sono, ou sono interrompido dos bebés, através de Observações Naturalistas e acompanhamento de evoluções no terreno, trago algumas considerações que gostaria de partilhar convosco!

Seria fácil concluir, pelas próprias mães e pais com quem tive o privilégio de colaborar neste processo, ou mesmo por vocês que me lêem, que os melhores planos de rotina, aqueles que de facto articulam vantagens a vários níveis, são os que protegem os bebés dos extremos de desconforto. 

Os extremos de desconforto, seja fome, cansaço ou insegurança, quando acontecem, o bebé já tem fraca capacidade, ou nenhuma, para se controlar, ou mesmo assimilar.... Seja a acalmar, seja em concentrar-se e ouvir, seja em qualquer conquista a melhorar para o seu próprio bem estar básico, ou máximo.
As melhores rotinas são as que são desenvolvidas a partir de uma observação das necessidades REAIS do bebé( versus as aparentes), e não devem ser pensadas em exclusivo, apenas na comodidade de quem cuida enquanto adulto com outras necessidades, como factor exclusivo e preponderante.(em especial quando se propõe resolver problemas enraízados manifestos no sono).

A verdade é que as necessidades reais do bebé estão lá na mesma, quer sejam encaradas como oportunidades ideais para agir, ou por outro lado, ignoradas - a verdade é que estão lá.
Poderá ser necessário um olhar mais experiente para as observar, ou não, mas certo é que o melhor dos dois mundos nem sempre é possível. Seja por horários profissionais incompatíveis dos Pais, indisponibilidade da Mãe com licenças encurtadas, seja por gestão familiar a melhorar, seja por uma infinita panóplia de razões.

"As rotinas ajudam a proteger o seu filho de grandes mudanças inesperadas, reforçam o sentimento de segurança,  e ajudam que este se acalme em situações imprevisíveis".

Caso sejam orientadas dentro dos horários saudáveis ( dentro do ritmo biológico saudável), será mais fácil a obtenção de benefícios, no entanto, desde que bem enraizados, mesmo fora desses horários, podem agir com a mesma eficácia....
...Todavia, os problemas enraizados de sono tendem a arrastar consigo problemas afectos à alimentação, qualidade de actividade, comportamento e mesmo ao nível da noção de segurança interna do bebé. Quando se quer recuperar, resolver, regular estas dificuldades de forma mais permanente, os horários saudáveis assumem um papel preponderante, mas apenas uma condição base e não a solução global em si- são um adjuvante.

Importa, que o bom senso predomine. O excesso de rotina baseado apenas no relógio, que ignore a observação dos sinais do bebé, de forma inflexível, e pouco empático por parte dos pais, pode anular estes benefícios mais tarde ou mais cedo.



No meu compromisso responsável com os Pais, quando sou chamada a resolver questões ao nível comportamental do sono, não consigo fazê-lo sem conhecer melhor cada caso, e as medidas exclusivas para um bem estar #MÁXIMO do bebé em causa.

O valor está todo em tornar essa harmonia visível e realmente sentida por todos em continuidade -e não apenas temporariamente. 

Para que o possa fazer com a maior segurança fisica e emocional, garantia, maior celeridade de resultados (por vezes com melhorias incríveis em apenas 1 ou 2 dias), e alargada permanência de resultados (mais de 6 meses), é ESSENCIAL e necessário respeitar as necessidades do bebé, sendo essa a condição base de partida!

"WIN WIN SITUATION"
Dessa forma, os ganhos são imensos!
Para além de mais bem dispostos, os bebés comem muito melhor, tornam-se mais seguros, e ganham maior concentração para conhecer melhor os pais e o mundo.

Os pais conseguem conhecer melhor o seu bebé, aprofundar o laço, mas usufruir dos seus serões como casal. Podem também repor as noites de sono e assim potenciar a sua qualidade profissional...mas para o caso e como o presente mais importante desta vida, enriquecer a sua qualidade parental  de ser Pais- o trabalho mais importante que nos é oferecido como uma benção. 

A Mãe e o Pai ganham VIDA- uma nova vida mais rica!

É caso para perguntar: Quando é que quer conhecer ainda melhor o seu bebé, e a rotina que melhor respeita as suas necessidades, como base de partida para se viver apenas a qualidade( do bebé e a dos Pais)

Saiba mais sobre os benefícios das rotinas, um artigo feito em parceria com a Psicóloga Clinica Dra. Ana Trindade : http://sonobebecarolinaalbino.blogspot.pt/2013/10/artigo-com-psicologa-ana-amaro-trindade.html

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Sinais de Sono: Prevenir em vez de Remediar!



O bebé quando está cansado emite sinais de sono, só alerta com choro quando já exausto.

Depois de entrar nesta espiral de choro, torna-se difícil conseguir sair dela, iniciando-se nesta altura o “ vale tudo” nos esforços dos pais para que o bebé durma, e o início dos hábitos comprometedores do sono.

É essencial estar atento a estes sinais de sono, e reconhecer bem os do seu filho, pois informam-nos que a janela de sono do bebé “está aberta”, sendo este o momento ideal para o bebé ser orientado num ritual de acalmar e ir dormir, de forma a evitar um grande descontrolo por parte do bebé.

Do nascimento aos 3 meses:

A forma como os recém-nascidos demonstram cansaço pode ser bastante diferente da de bebés mais velhos. Os seus movimentos corporais são controlados principalmente por ações reflexas. Por esta razão, os recém-nascidos podem ser menos óbvios a exibir as pistas que esperamos observar quando estão cansados. Demonstram o aumento dos níveis de agitação (descontrolo central). Alguns dos sinais que podem ser observados são:

• Agitação/descontrolo: agitar braços e pernas (movimentos involuntários dos membros; puxar para cima os joelhos; arquear as costas, cerrar os punhos; podem por vezes bater/arranhar, neles mesmos, quando estão já no extremo)
• Olhar (focando o olhar no vazio, desviando o olhar, virando a cabeça para longe ou para os lados)
• Bocejo
• Esfregar a cara no colo, ou encaracolar neste
• Buscar conforto por sucção

Dos 4 aos 12 meses:

Nesta idade, os bebés ganharam maior controlo sobre os seus braços e pernas, e já não exibem os movimentos dos membros frenéticos quando estão cansados. Sinais típicos de cansaço para essa faixa etária são:

• Agitação/descontrolo dos membros
• Esfregar os olhos ou nariz
• Puxar/mexer as orelhas ou cabelo
• Bocejar
•Procura de colo sem razão aparente

A partir dos 12 meses:

As crianças, a partir desta idade, são frequentemente muito ativas e muito curiosas. Irão ignorar os sentimentos de cansaço, porque não querem perder pitada da sua exploração deste mundo! Os primeiros sinais de cansaço nesta faixa etária incluem:

• Perda de coordenação( esbarrar em coisas, cair, derramar coisas (mais do habitual))
• Esfregar os olhos
• Bocejar
• Não conseguirem concentrar-se em nenhuma tarefa por mais de 1 minuto ou menos
• Quererem tudo e não quererem nada
• Nada os satisfaz momentaneamente - rabugice crónica
• Volatilidade emocional( ou riem à gargalhada, ou no segundo seguinte podem chorar)
•Podem também incluir comportamentos descritos na faixa etária de 3 a 12 meses

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

As Maiores Queixas do Sono: Reconhece alguma?


Em teoria tudo parece mais fácil… Na prática, as coisas são de outro calibre! São vários os desafios que os pais podem enfrentar ao ensinar o seu bebé a dormir, ou mesmo, ainda noutro nível de menor controlo, para o adormecer. 

Conheça-as e saiba evitar o Top 6 das queixas do sono!

(A atitude de querer o melhor do seu bebé, combinado com um pedido de ajuda bem escolhido, por parte dos pais, resulta em si um passo realmente sólido no alcance da resolução de todas estas e muitas outras queixas afectas ao sono do bebé- e não apenas da sua melhoria temporária.)


1# "Não conseguimos manter a calma!"

A culpa sentida, muitas vezes por não se conseguir acalmar o bebé, só reforça o cansaço e o desespero. É normal que o choro do bebé, associado à insegurança sobre o que se fazer, aliado muitas vezes a opiniões diferentes por parte dos pais e com uma grande pitada de privação de sono, seja "enlouquecedor"! É verdade, que o sono, seja para os adultos, seja para os bebés, é essencial para se regular os estados emocionais. Lembre-se que está a fazer o melhor que pode e sabe… Pode ser muito desgastante para todos, o facto do bebé não dormir, e é compreensível que por vezes, não se consiga manter a tranquilidade necessária. No entanto, auto-controlo e manter a calma vai ajudar os pais e o bebé a sintonizarem-se numa relação de maior confiança. Pergunte a si mesma como quer estar, lembre-se que é você a maior Inspiração Emocional do seu bebé e reprograme-se para um "estar" mais positivo e confiante.

BEST ADVICE: Peça ajuda! Se necessário, encontre a pessoa certa para ensinar e praticar esse auto-controlo, muito requisitado para quem é Mãe e Pai, e um hábito que se deve fortalecer desde muito cedo! ( faz parte integrante do meu trabalho em Método de Intervenção ao Domicílio)

Leia mais em  http://sonobebecarolinaalbino.blogspot.pt/2013/12/como-ensinar-o-bebe-acalmar.html e
http://sonobebecarolinaalbino.blogspot.pt/2014/03/a-influencia-do-comportamento-dos-pais.html.


2# "Já tentamos tudo e nada dá resultado!"

Os pais só procuram o melhor para os filhos, mas, muitas vezes, encontram demasiadas respostas! Os livros que já se leram, a vizinha que disse, a amiga que dá dicas, etc! No entanto, lembre-se que o seu bebé é único, bem como o seu contexto, bem como o seu temperamento! Só conhecendo e respeitando as suas necessidades físicas e emocionais específicas é que o conseguirá ajudar de forma eficiente e duradoura! Mas para isso é preciso conhecê-las em profundidade com conhecimento , muito além das crenças populares. Quando os pais entram na necessidade de tentar varias estratégias, tentando de tudo um pouco, é em si um forte indicador de que a situação pode requerer orientação mais aprofundada de um profissional especializado, que o saiba fazer mais do que à superfície, pois não está a ficar fácil a cada tentativa diferente. Quando não se individualiza o seu plano, e, não se dá continuidade suficiente, com as medidas personalizadas e ajustadas ao caso particular da situação do seu bebé e respostas dos pais, a probabilidade de que este fique ainda mais baralhado e não consiga aprender e evoluir em algum sentido é enorme...

BEST ADVICE: Conheça melhor o que se está a passar com o seu filho, (peça ajuda se necessário), e eleja a linha que considere a mais completa e sustentada. Deve ser igualmente, fisica e emocionalmente segura para o bebé. Não ande sempre a mudar de "regras" aos olhos do seu bebé. 



3# "O bebé só quer adormecer ao colo"

O exemplo de adormecer ao colo, é uma das soluções usadas de induzir o sono, que dá uma percepção ao bebé, de que para dormir, está dependente de alguém, neste caso do colo (normalmente os pais)! ao início pode parecer aos pais um gesto carinhoso e até querido, mas o bebé cresce, e não é justo que não se sinta seguro para dormir tão bem no berço por exemplo. Mesmo que por vezes se tente evitar pegar o bebé ao colo, pode, por acidente, ter-se criado esta expectativa no bebé ao pegar-se ao colo, sempre em resposta de choro. Se este aprender que a solução para dormir passa por sair do berço e fazê-lo ao colo, ele não esperará apenas a sua própria capacidade interna para adormecer tranquilamente, tenderá a esperar outros recursos e de forma audível.

BEST ADVICE: Dê a verdade ao seu filho! Os pais não desejam ficar a adormecer ao colo à medida que o bebé cresce e durante toda a noite. Ensine o seu bebé a dormir de forma estruturada e continuada ao longo do seu desenvolvimento, em vez de o adormecer (Para evitar conquistas de pouca durabilidade, e desilusão para os pais, procure ajuda especializada que tenha experiência comprovada, para melhor e maior permanência de resultados.)

Saiba mais em http://crescer.sapo.pt/bebe/sono/planear-o-sono-fazer-hoje-como-deseja-continuar-amanha
http://sonobebecarolinaalbino.blogspot.pt/2013/10/ensinar-o-bebe-dormir-trabalho-para-os.html 


4# "Socorro:O meu bebé acorda várias vezes durante a noite"

Boas Noticias: Já se conhecem as principais causas do despertar noturno, e é possível controlá-las caso sejam identificadas e resolvidas, melhor desde cedo, pois poderão ser logo prevenidas e nunca passem a ocorrer! É preciso coordenação nos hábitos de alimentação, atividade e comportamento, com medidas que fortaleçam o laço de confiança e noção de segurança do bebé, já que estes influenciam directamente o sono e vice-versa. O pouco sono diurno, o adormecer comprometedor (por indução), a rotina desajustada, as respostas dos pais que intensificam estes despertares, a hiper-estimulação nas atividades diurnas e as causas ambientais, são algumas das razões que podem incentivar e enraizar o despertar noturno!

BEST ADVICE: Siga um plano de prevenção, e actualize-o em fases relevantes do desenvolvimento do seu bebé.

Leia mais em 


5# "O bebé só dorme bem quando vem para a nossa cama!"

É normal que os bebés adormecidos ( por indução: seja de colo, embalo, toque, trepidação, a mamar etc) procurem de forma involuntária o contacto físico para dormir, o que resulta que quando sairem as grades do berço em Co-sleeping! Pior mesmo é quando não é algo desejado por todos! O co-sleeping é um prazer para todos quando não é fruto de uma “não escolha”. Para ser uma escolha, é preciso consolidar um padrão, idealmente que promova o melhor sono, desde cedo - para todos e por todos. Se os Pais, por cansaço, experimentaram pôr o bebé a dormir com eles, possivelmente poderá parecer solução maravilhosa, no entanto poderá ser apenas temporária, se não se resolveram as reais causas mau sono. Os pais, ao não ensinarem os seus bebés a conciliarem o seu sono de forma autónoma, segura e completa ( com medidas além sono) acabam por dar ao bebé razões para acordar/“chamar” por eles as vezes necessárias para readormecer, e, por só conseguir acalmar na presença dos mesmos, em várias fases do seu crescimento.

BEST ADVICE: Crie um padrão de sono justo para o seu bebé, mas que possa ser sustentável por si a médio e longo prazo e que seja fisica e emocionalmente saudável.

Saiba mais em http://crescer.sapo.pt/bebe/sono/co-sleeping-sim-nao-ou-nim. 


6# "Pronto, o meu bebé não quer dormir"

Os bebés têm uma resistência limitada em tempo de qualidade enquanto acordados. Se for desconhecida aos pais, ou mesmo inadvertidamente ignorados os seus sinais de sono, poderão entrar em território de cansaço e rapidamente exaustão e logo, de choro e aparente "luta" no momento de dormir. Quanto menos o bebé dormir para o que a sua idade e peso necessitar, menos facilidade terá em dormir no evento seguinte de sono, tendendo a piorar cada momento mais próximo do final do dia! Lembre-se ninguém adormece sem estar calmo, e quanto mais cansado, mais dificuldade tem em estar calmo.

BEST ADVICE: Conheça as suas reais capacidades em tempo acordado, e ensine o seu bebé a dormir com rituais que promovam a "mudança de marcha", e o hábito de acalmar antes de dormir. Atenda a rotinas ajustadas à idade e peso.

Saiba mais em http://crescer.sapo.pt/bebe/sono/luta-contra-o-sono-o-que-fazer



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Pesadelos ou Terrores Noturnos? Parte II

Muitos dos pais podem sentir-se confusos sobre o que fazer, ou como reagir para confortar a criança em qualquer uma destas situações. É importante distinguir “sonhos maus” de terrores noturnos, pois estes exigirão, por parte dos pais, formas distintas de acalmar a criança!

Pesadelos

O Pesadelo é uma experiência diferente do terror noturno, pois a criança acorda assustada, após o sonho mau, contando por vezes o que se passou. Ter pesadelos de vez em quando e mesmo fases de maior ocorrência, é normal, no entanto se muito frequentes e continuados, podem ser indicadores de períodos de grande angústia e stress, tal como nos adultos.
Poderá caber aos pais a consciência da eventual necessidade de melhorar ou mudar a qualidade/quantidade das experiências às quais a sua criança está exposta, caso afectem de forma continuada a tranquilidade da criança.

Como lidar?

Devemos tentar tranquilizá-la, explicando que se tratou de um sonho. Por mais pequena que a criança possa ser, é importante semear desde cedo a explicação mais próxima da verdade, a mais congruente: A de que os sonhos, ou pesadelos não são reais, “não acontecem de verdade”.

A presença dos pais é importante para poder explicar que tudo não passou de um sonho mau, demonstrando afeto e acima de tudo, a compreensão dessa “realidade sonhada”.
É importante a criança sentir-se atendida, mas mais do que atendida, é importante que se sinta compreendida.

Dignificar a criança a ponto de merecer uma explicação ( mesmo que não compreenda todas as palavras, compreenderá as palavras chave, e ao ouvi-las por mais de uma vez, estará mais próximo de as compreender mais cedo, caso os pais não as usassem) e assim possa voltar a dormir descansada!

Poderá ser necessário resolver o tema e tranquilizar a criança até nos dias seguintes, reforçando a explicação e exemplificando se necessário, em especial do que é real e o que não é!

Eis um exemplo a evitar, que seria : “ Queridinha não tenhas medo do lobo mau, porque se ele aparecer aí, a Mãe dá-lhe logo com a vassoura, agora volta a dormir querida, sim?!” Esta é só mais uma, das muitas tentativas carinhosas e bem intencionadas de apaziguação, mas que inadvertidamente confirma com a criança dois medos:

1º- A eventualidade da existência do “lobo mau”
2º- A possibilidade de ele poder aparecer ali em casa.

Lembre-se que a racionalização e a lógica, são aprendidas ao longo do desenvolvimento, e por vezes é essencial ser-se criativo também, entrando no mundo imaginário da criança, para que se possa melhor compreender perspectiva da criança. 

No entanto, ao tentar tranquilizá-la, tente avaliar se as suas ideias são tão, ou mais infantis, e se é disso mesmo que a criança precisa para se tranquilizar no seu entendimento do mundo, do que é dado como real ou não real.

As explicações e apaziguações/explicações “surreais”, podem chegar à incongruência, e que se for tornando num (mau) hábito dos pais, poderá pôr em risco o laço de confiança da criança com estes (ainda que discretamente) e agir no efeito oposto pretendido, à medida que esta cresce, e em especial nestes temas.

São em eventos como estes, que mais uma vez, se poderá ver os frutos e a profundidade do laço de confiança da criança com com os pais, em especial sendo este construído continuamente desde cedo, de bebé e depois criança.

Um dos efeitos positivos de um forte laço de confiança, demonstram ter um maior alcance na tranquilização das preocupações e medos da criança, pois esta estará mais permeável à apaziguação dos pais. A criança está habituada a confiar, e daí que nestes casos confiam mais facilmente, ou mesmo cegamente nas palavras destes e como tal estão mais próximas de se sentir genuinamente protegidas e seguras.

Quando o semear destas medidas que promovem o laço de confiança com os pais, é feito desde muito cedo de forma congruente, como um bom hábito, faz com que a depêndencia do contacto físico, para que a criança se sinta segura, não seja a única nem a mais importante ferramenta de apaziguação, ainda que melhore o estado da criança momentaneamente. No entanto, poderá ser incompleta quando dada em exclusivo, por não conseguir ir de encontro à “raíz” daquele “medo”.

Acima da dependência/ligação física para a tranquilização, está a mais profunda necessidade de segurança interna e essa não está apenas ligada ao contacto físico, por exemplo através do exclusivo co-sleeping, mas sim ligada à genuína noção de segurança interna, que se constrõe através de um forte laço de confiança que foi sendo gerando com os pais( e como tal, com o mundo interno e externo.)

Uma criança terá sempre os seus medos e claro, pesadelos, sem eles não seria humana. Ainda que desagradáveis para todos, os pesadelos podem ser também vistos pelos pais, como oportunidades valiosas de poder ensinar a reagir ao medo, poder ensinar a lidar com dificuldades e ensinar a desencadear raciocínios fortalecedores do espírito, imprescindíveis para o crescimento cognitivo e emocional.

Daí que são igualmente uma boa forma de conhecer melhor as preocupações medos, necessidades emocionais e mesmo cognitivas do seu filho.

É bom conhecermos os nossos filhos em todas as fases de crescimento!

O desafio da educação, neste caso, é fazer da aparente "ameaça" do pesadelo, uma "oportunidade" de fortalecer o conhecimento, a relação, e a segurança com o seu filho. Para tal será também benéfico rever hábitos da criança, eventos atípicos e revalorizar as suas brincadeiras.

As brincadeiras das crianças são aprendizagens muito sérias e na qualidade destas estão também ferramentas imprescindíveis para criar um terreno mais tranquilo, positivo e reparador, capazes de aumentar a sua auto-confiança e noção de segurança, face aos medos e aos pesadelos.


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Pesadelos ou Terrores Noturnos? Parte I


Por vezes, é normal que as crianças acordem a chorar, estando os medos relacionados com a sua atividade onírica, os sonhos, ou na sua pior "espécie": Os pesadelos. No entanto, muitos dos pais sentem-se confusos sobre o que fazer, ou como reagir para confortar a criança. É importante distinguir “sonhos maus” de terrores noturnos, pois estes exigirão, por parte dos pais, formas distintas de acalmar a criança!



Terrores Noturnos

A fase dos terrores noturnos é mais frequente por volta dos dois, três anos. Estes são característicos da fase de mudança do ciclo de sono, e correspondem a uma altura em que a criança está alheada da realidade. Neste caso, a criança não chega a acordar completamente, mas grita e chora intensamente, parecendo por vezes que quer defender-se de algo. É normal que os pais se assustem e encontrem o seu filho de olhos abertos, sentado na cama, mas sem fixar o olhar, naquilo que parece ser, um elevado estado de desorientação e pânico. Pode acontecer inclusive que a criança evite os pais, rejeitando a sua ajuda, já que estes podem assumir um papel não reconhecido no contexto do evento do terror noturno. No entanto, de manhã, a criança acordará sem qualquer recordação do episódio. 



Como lidar?
 
Não devemos tentar acordar a criança, apenas evitar que ela se magoe, tentando manter a calma e aguardando que o evento passe. É garantido que vai passar, por mais longo que pareça aos pais. Poderá ajudar apresentar uma “solução reparadora”, sem acordar a criança ou pegá-la ao colo, sendo que o contacto físico forçado, poderá ser respondido pela criança com brusquidão - é neste ponto que os pais tendem a assustar-se com a reacção e ficam mais baralhados que a própria criança:” Quando tentei pegá-lo ao colo, deu-me um safanão no meio de gritos…”

Poderá ser importante reforçar que está tudo bem, numa voz calma e tranquila, tentando reencaminhá-la para o sono, através da “condução de ideias” que referenciem elementos familiares e conhecidos da criança, eventos preferidos do dia-a-dia, que esta identifique como agradáveis ou mesmo divertidos. Esta solução que é a relatada como a de maior sucesso, age no sentido de “puxá-la “ do inconsciente indefinido" e agitado, e assim diminuir a intensidade do pânico com vista a cessá-lo mais depressa. De facto, tentar acalmar pode não resultar, e lembre-se que, por mais estranho que pareça, o seu filho não está a sentir medo, não está consciente e acima de tudo, não está possuído por alguma “força oculta”. Pode ser ansiogénico para os pais assistir ao “estado de pavor” da criança, mas estes episódios, quando não muito frequentes em continuidade, são normais e fazem parte do desenvolvimento. O maior pavor é, de facto, sentido pelos pais! 



Pesadelos
( Saiba como lidar com os Pesadelos no meu próximo "post")!


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

5 Mitos sobre o Sono do Bebé

Comprometem bons hábitos do sono, mas acima de tudo atrapalham a sua consolidação desde cedo...

Saiba reconhecer um mito quando está perante um...


5 Mitos a saber!

#Mito 1: Não se deve acordar um bebé que dorme durante o dia!


É verdade que não se deve acordar um bebé recém-nascido durante o dia, e com um intervalo máximo de 4 horas, também durante a noite, assim como em situações de baixo peso ao nascimento e prematuridade. Porém, esta situação não deve ser estendida a todo o universo dos bebés, especialmente quando se trata de dar oportunidade de regular os seus ritmos, e claro para o ensinar a dormir à noite.


#Mito 2: Quanto menos dormir durante o dia, mais e melhor dormirá à noite!

Se o bebé dorme menos do que a sua fase de desenvolvimento físico necessita, ao longo do dia, é algo que se refletirá num sono mais agitado - com maiores períodos de sono leve durante a noite, e logo maior predisposição para acordar, ou incapacidade de consolidar o sono noturno continuo.


#Mito 3: As sestas devem ser com luz para distinguir o dia da noite!

O esforço de usar luz e estímulos como condições por excelência para o bebé dormir de dia, para que saiba dormir à noite, pode, além de comprometer a qualidade das sestas, não alcançar o efeito desejado durante a noite.


#Mito 4: Abanar um bebé, acalma-o!

Desde que nos conhecemos que temos a imagem recorrente de ver os bebés ao colo a serem abanados e às vezes "achocalhados" . Saiba que este movimento além de não acalmar, agita o bebé e impede- o de focar a visão.


#Mito 5: Quando o bebé chora para dormir, está a lutar contra o sono!

Nem tudo o que parece, é. A ideia que os bebés pequenos não gostam de dormir deve ser desmistificada. Esta ideia pouco lógica remonta a uma época que pouco se sabia sobre a área comportamental do sono do bebé e o seu desenvolvimento.



quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Dicas para as Férias!


As férias são sempre esperadas, mas são também um desafio para manter os bons hábitos: Dicas para mostrar ao bebé que o contexto, o lugar, as pessoas podem mudar,mas o resto é para manter- Ele pode contar consigo para isso!

Nesta altura são muitas as famílias que estão de férias e podem ser confrontadas com diferentes hábitos e sugestões de amigos e familiares, assim como ambientes diferentes, inclusive o mais popular da estação: A PRAIA!

Poderá ser uma tarefa mais desafiante para os pais, em especial por alguma pressão alheia. Mas mantenha a consciência de que é extremamente importante seguir uma rotina ajustada para consolidação de bons hábitos, mesmo em meios e contextos diferentes, e que poderá evitar choro de desgaste e rabugice, fora de casa, ou em público.

Eis algumas dicas:

1) Ajude-se a si mesma: Planeie os seus dias, de forma a usufruir das suas férias, mas sabendo com o que conta! Por isso, mantenha as rotinas do seu bebé, para maior previsibilidade, e menos desilusões e expectativas furadas.

2) Mantenha os mesmos intervalos de alimentação/horários de refeição do seu bebé. Se necessário antecipe-as (bebés na praia, em especial com vento, ou em demasiadas andanças e programas, podem beneficiar com essa proação, pois ficam com mais fome, e com sono, mais cedo).

3) Mantenha horários das sestas. E mais uma vez, caso seja um bebé com menos de 12 meses, poderá antecipar, especialmente em ambientes com vento.

4) Lembre-se do que o bebé está habituado! Reproduza a "base desse hábito" fazendo apenas o "update" do ambiente (que é novo), com algumas adaptações. Comece a proteger o ambiente, e a acalmar o bebé, quando mostra os primeiros sinais de sono. Se necessário, adapte o ritual de acalmar, mas mantenha os mesmos princípios lógicos da redução de estímulos.

5) Ensine o bebé abstrair-se. Como se faz isso? Consegue-se através da capacidade de abstração do cuidador, controlando a respiração e evitando fazer os chamados "suspiros de frete" ou impaciência, tons de comiseração, e claro, mantendo a consistência até que o bebé aprenda a fazer o mesmo. Caso tenha ensinado o bebé a sintonizar-se consigo, será mais fácil, porque ele estará habituado a começar a acalmar apenas através da influência da sua respiração e batimento cardíaco, em combinação com a lentidão das palavras.

6) Mantenha o ritual de dormir de forma similar ao que é feito em casa! Recorra, se necessário, à imaginação e adapte (reduzindo o estímulo, falando da mesma forma, utilizando as mesmas referências ou as disponíveis mais parecidas).

7) Caso tenha de introduzir algumas diferenças/mudanças, não se esqueça de manter a maior proximidade possível com a "base da rotina" que faz usualmente (se estiver ajustada)! Fazendo tudo o resto de forma igual ou o mais próximo possível, protegendo os mesmos princípios chave.

8) O importante para o bem-estar do bebé é ter alguém que o oriente de forma carinhosa e consistente! Dessa forma, lembre-se que poderá sempre corrigir algo no dia seguinte e voltar a regulá-lo dentro do padrão desejado, isto perante dias ou eventos de exceção.

9) Convença-se a si, mas ao bebé também, que vai correr tudo bem!...Vai ver que será mais fácil ele confiar e acalmar em contextos diferentes, ou perante alguma mudança.

10) Pense que não está sozinha/o! Muitos pais sentem este desafio quando vão de férias! Parabéns a si por querer proteger o bem-estar máximo do bebé, mesmo em férias!


Saiba mais na minha nota "Os bebés e praia" e também no artigo Dias de exceção: A rotina e o sono!...

(http://crescer.sapo.pt/bebe/perguntas-frequentes/dias-de-excecao-a-rotina-e-o-sono).