sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Os bebés e a televisão - Artigo com a Psicóloga Ana Amaro Trindade


Os bebés têm uma necessidade muito grande de interação. É esta que permite um saudável desenvolvimento. Como as cores, os movimentos animados e os sons da televisão captam facilmente a atenção dos bebés, muitas vezes os pais (ou até educadoras nas creches - cerca de 73% das crianças vê televisão na creche, segundo a Deco) usam-nas como “babysitters”.

A utilização excessiva da televisão pode comprometer a capacidade do bebé em explorar o ambiente, comunicar, aprender a distrair-se sozinho, acalmar-se de forma autónoma, e aprender a brincar – o que mais tarde pode comprometer o desenvolvimento da capacidade simbólica, fundamental para a saúde mental da criança.

A televisão é uma fonte de hiperestimulação desajustada para os bebés, não só por alguns conteúdos mas principalmente pelos seus ritmos bem mais acelerados e estimulantes que o ritmo da vida real. O seu uso pode deixar o bebé agitado pela quantidade de informação que o seu cérebro terá de processar (pois cada imagem televisiva é constituída por um conjunto de centenas de pontos luminosos). Um bebé pequeno não consegue acompanhar a velocidade da sequência de imagens, nem os cortes constantes de luz e de som, sendo estes ansiogénicos. Os bebés avaliam a sua segurança através dos ritmos, das rotinas, da tranquilidade, assim, qualquer presença disrítmica, como a da televisão, será geradora de ansiedade, aumentando o choro e dificultando o sono.

Um bebé exposto à televisão em excesso poderá apresentar dificuldades em:
- Sentir-se seguro a brincar sozinho, requerendo atenção constante, e exigindo ser entretido continuamente - pois não aprendeu entreter-se sozinho;
- Desenvolver conquistas físicas próprias da sua idade sem se frustrar em pouco tempo, apresentando dificuldades em persistir numa tarefa até conseguir ter resultados;
- Satisfazer-se com apenas um brinquedo, tendo tendência para estar constantemente a mudar de brinquedo, explorando-os apenas de forma superficial.

A televisão é uma excelente fonte de entretenimento, no entanto é fundamental que as crianças possam, desde bebés, desenvolver a aptidão de entreterem-se por elas mesmas. Esta é uma variável que influencia diretamente o sono. Um bebé que não sabe estar períodos progressivamente maiores entretido por si, sentindo-se seguro, terá muito mais dificuldade em adormecer de forma autónoma.

Se for vista televisão imediatamente antes de ir dormir, no momento de adormecer o bebé/criança terá que lidar com o acalmar da estimulação nervosa (também ao nível da luminosidade retida na retina) e com a necessidade de processar a informação (porque o que vê são feixes de luz sem sentido, que lhe vão ocupar o cérebro e dificultar o trabalho de triagem cerebral que faz durante o sono) - o que piora a qualidade do sono, tornando-o mais agitado e com menos capacidade reparadora.

Algumas recomendações no uso da televisão:
- Os bebés não devem estar expostos à televisão (de forma regular) antes dos dois anos. Nunca antes do primeiro ano, e antes dos dois, apenas períodos mínimos (no máximo de dez minutos) e com imagens bem definidas, com as cores primárias, e com elementos que o bebé conheça na sua casa ou no seu ambiente.
- A criança pequena não deve ver mais do que uma (a duas) hora(s) diárias e preferencialmente no período da manhã – ficando neste tempo também incluídos tablets, computadores e consolas. Os pais devem impor estes limites de forma clara e sugerir (de forma entusiasmada) alternativas (ler ou ver um livro, desenhar, brincar sozinho ou com os pais, fazer jogos na rua, fazer desporto, etc).
- Os pais não devem usar a televisão como forma de entreter o bebé ou de forma a substituir a interacção.
- A televisão não deve ser usada para distrair o bebé enquanto chora, pois priva-o de treinar os mecanismos necessários para saber acalmar-se sozinho.
- As refeições não devem ser acompanhadas de televisão. É fundamental que os pais conversem com os filhos. Que se troquem experiências, que se conte como foi o dia. Também os bebés pequenos não devem ver televisão na hora das refeições como distração.
- Adequar os programas à idade da criança e escolher de preferência programas que apelem à participação (e não à passividade).
- Os pais devem servir como modelos para os filhos, selecionando também de forma criteriosa os programas a que assistem.
- A televisão não deve estar ligada como “ruido de fundo” quando os bebés estão na divisão.
- As crianças não devem ter televisão no quarto. A televisão deve estar na sala ou num espaço comum. É natural que entre irmãos hajam “guerras” pela posse do comando, o que é uma boa oportunidade para aprender a negociar e fazer cedências.
- Os pais devem ver televisão com os filhos (sendo ideal os pais visualizarem antecipadamente o programa), pois as crianças precisam de ajuda na compreensão de certos conteúdos televisivos (nomeadamente ajuda a distinguir a realidade da ficção). Os pais devem esclarecer dúvidas e ajudar a interpretar e fomentar o pensamento crítico.
- Não deve ser vista televisão antes de ir dormir, como veículo para acalmar. A televisão é uma fonte de estímulo e distracção, relacionada com actividade e não algo ajustado para adormecer. É certo que se pode observar um bebé a acalmar ao ver televisão, mas ao concentrar-se na televisão ele está a distrair-se do mais importante, que é aprender a acalmar-se autonomamente através da redução de estímulos.

Não se pode dizer que a televisão é boa ou má, depende da utilização que lhe for dada. Pode ser uma fonte de estímulo e de aprendizagem, desde que oferecida a partir da altura certa, com o conteúdo certo e na “quantidade” adequada. Os programas infantis devem ser cuidadosamente selecionados pelos pais, devem ser pedagógicos e adequados à idade da criança. Existem variados canais programáticos para crianças e cabe aos pais escolherem o melhor de cada um. No entanto, é importante protegermos as crianças do passivismo de quem apenas é “recipiente de informação”. Para um desenvolvimento saudável é fundamental saber criar, inventar (brincar!), tal como conseguir articular mecanismos internos e externos para se manter entretido e tranquilo. Assim, devemos proteger os bebés do entretenimento híper-estimulante e sem desafio, e ensinar as crianças a serem consumidoras criteriosas e exigentes e a terem uma relação saudável com a televisão.

Por Ana Amaro Trindade, Psicóloga Clínica
Carolina N. Albino, Especialista em Ritmos de Sono do Bebé



Dias de excepção: A rotina e o sono


Mesmo com uma rotina ajustada e um trabalho privilegiado no sentido de orientar o bebé nos melhores hábitos, como ensinar a acalmar, a confiar, a dormir, comer bem, poderão surgir dificuldades em épocas festivas, que empurram só por si um ligeiro alterar de rota habitual. É um desafio, mas é bom saber que pode ser controlável!


Para cada vez mais Pais é notória a importância de uma rotina ajustada à idade e peso do bebé, no que toca ao sono e alimentação, para aquisição e consolidação de bons hábitos. É imprescindível que a rotina seja adequada, pois caso contrário, mesmo sem dias festivos e de excepção, o bebé poderá apresentar mais dificuldade em comer e dormir bem.
Então o que fazer? Os dias de excepção são geríveis! A primeira premissa está em si! Depende grandemente da vontade dos pais mostrarem ao bebé que o contexto, o lugar, as pessoas podem mudar, mas o resto é para manter (a base essencial).
 E como poderão fazê-lo? Orientando o bebé sob os mesmos intervalos de alimentação, colocando o bebé para dormir quando mostra sinais de sono, e comunicando com ele sob a mesma base de ligação que fazem quando estão em casa em dias normais. Certamente que poderá ser uma tarefa mais desafiante para os pais, que poderão estar mais desconcentrados, em viagem, etc, no entanto, são da maior importância situações como estas, quando se quer promover a consolidação dos melhores hábitos no bebé, em especial de sono- em qualquer lugar. Para um bebé podem bastar 2 dias de excepção seguidos à sua rotina para poder demonstrar sinais de “baralhação”, menos cooperação, mais dificuldade em acalmar.

Muitas vezes os pais questionam-me se a rotina do bebé é para pôr em prática em qualquer lugar. Absolutamente: convém explicar que a rotina do bebé não é algo acessório à sua vida, mas sim a melhor orientação que protege o bem-estar máximo do bebé, e como não podia deixar de ser, igualmente no campo do sono. Então orientar um bebé numa rotina é passível de fazer em qualquer lado: na casa dos avós, na rua, na praia, em viagem... Não será lógico que o bebé possa aprender que mesmo em locais diferentes, deve igualmente dormir e comer bem? Se para os pais isso é importante, é necessário então que possam ensiná-lo ao bebé, pois ele aprende exatamente aquilo que for ensinado.
Não é difícil fazê-lo de acordo com este mindset:
- Podem existir dias em que o bebé sai da rotina, seja por influência externa ou mesmo interna (do próprio bebé) - esta afirmação só se torna válida se os pais poderem controlar a quantidade de excepções que são aceitáveis para o seu bebé, e para tal é necessário conhecer bem o bebé, através de uma rotina ajustada torna-se mais fácil. Depois lembrar que depois de dois dias de excepção, ao terceiro o bebé poderá estar já baralhado.
- Poder de ajuste: é possível manter a rotina do bebé em qualquer local, bastando para isso condições mínimas (ter o que comer, e um sítio onde dormir seguro, e alguém carinhoso que o oriente) reproduzindo os rituais de forma similar ao que é feito em casa. Por exemplo, se em casa os pais usam uma música para o ritual de acalmar( antes de ir dormir), e ali não existe, os pais não devem temer essa falha, pois se mostrarem essa insegurança é normal que o bebé o sinta. Os pais devem fazer tudo o resto igual, mesmo sem a música, já que importa o conjunto de referências: falar mais devagar, enunciar certas palavras, mudar a fralda e oferecer a chucha, diminuir a luz, etc.( caso o ritual seja esse o normal antes de dormir)

- Horários de refeições: manter uma rotina em qualquer lado implica seguir os horários de alimentação. O seu bebé terá sempre que comer nos intervalos certos( nem seria justo não o fazer). Depois das alimentações, segue tudo com naturalidade - o momento em que o bebé está acordado em “actividade”. Depois do consumo de energia, que pode ser mais ou menos intenso, dependente do nível de intensidade do estímulo, o bebé dará os seus sinais de sono. Aí é importante que os pais possam reduzir o estímulo (ou limitando o campo visual, ou levando o bebé para um local mais tranquilo), e possam acalmá-lo antes de ir dormir através de um ritual que o promova, mas que possa ser o que o bebé conhece.

Para finalizar, é importante lembrar que os dias de excepção são isso mesmo, são dias excepcionais e como tal, não devem ser o padrão. Mas, se mesmo após um esforço consciente em manter tudo mais parecido com o padrão regular do bebé, as coisas saírem do controlo, seja por que razão for, deve usar-se de sensatez, pois uma situação de excepção poderá sempre ser corrigida no dia seguinte, e assim controlada uma nova e indesejada padronização.



quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Como ensinar o bebé a acalmar - Artigo com a Psicóloga Ana Amaro Trindade

Os bebés têm mais competências do que se pensa. É possível ensinar muitas coisas a um bebé, entre elas a acalmar-se e desenvolver o autocontrolo físico e emocional - aprendizagem fundamental para conseguir adormecer autonomamente.

O bebé nasce com diversas competências que se vão desenvolvendo. Sabe-se hoje em dia que a acuidade visual do bebé recém-nascido é máxima a uma distância de cerca de 20 cm, a que separa o rosto da mãe do bebé quando está a mamar, e que mostra, desde o nascimento, preferência pela voz da mãe, porque a ouviu enquanto esteve na barriga. Estas competências, entre outras, facilitam a ligação entre a mãe e o bebé e promovem o estabelecimento da relação entre ambos, que é a base da aprendizagem para o bebé.

No início, o bebé precisa que a mãe (ou cuidador principal) lhe “filtre” o mundo, pois a primeira forma do bebé pensar é “sintonizar” com o que a mãe lhe transmite. Os afectos e as emoções co-constroem-se - é a partilha de afectos na relação mãe-bebé que vai permitir que o bebé forme a sua vida afectiva e emocional pessoal, como afirma Bernard Golse, Pedopsiquiatra e Psicanalista. Assim, não é possível pensar na questão das emoções do bebé sem pensar na interacção que tem com os seus pais. Daí a importância da postura destes enquanto cuidam do bebé – é transmitindo calma e segurança que o bebé interioriza estas emoções.

De que forma podem os pais ensinar o seu bebé a acalmar-se autonomamente? Através de medidas como:
- Ouvir o bebé quando chora, compreender o desconforto associado ao tipo de choro, para poder responder de forma adequada, não agindo por impulso e não se deixando guiar pelas suas próprias emoções – ansiedade, frustração, etc.;
- Responder ao mal-estar do bebé de forma previsível, regular e também lógica. Por exemplo, se o bebé já se acalmou não faz sentido continuar a dizer que está tudo bem incessantemente. Por outro lado se o bebé está a chorar não faz sentido imitar o tom do choro;
- Mostrar-se tranquilo, optimista e confiante, estando atento à expressão facial que transmite e à postural corporal que demonstra, respirando de forma profunda, calma, fazendo longas inspirações e expirações, e valorizando o bebé quando imita este comportamento;
- Evitar perturbar o bebé com movimentos bruscos, agarrando-o de forma confortável e segura (não abanando);
- Falar-lhe de forma serena e espaçada. A voz é uma chave importante para acalmar o bebé, quando o tom favorece a calma. Pode ser um método ainda mais poderoso que qualquer outra solução física para acalmar.

É importante que os pais se consciencializem que acalmar um bebé pressupõe fazê-lo de modo que o bebé não tenha dificuldade em reproduzir esse comportamento no futuro, caso contrário não estará a aprender a acalmar-se. Alguns exemplos comuns que não ensinam um bebé a acalmar-se autonomamente são abanar/embalar/agitar o bebé (vê o mundo aos pulos, o que aumenta o estímulo visual), ser distraído com um brinquedo, ou pô-lo a ver televisão/iPad/telemóvel.

As nossas vivências actuais estão a empurrar os pais a usar aparelhos de tecnologia para substituírem o mais importante. Mal o bebé nasce já está a ser entregue a estratégias robotizadas de acalmar, que não passam por um aprofundar da relação, um aprofundar do laço de confiança com os pais. Usam-se sons digitais, cadeiras trepidantes, imagens luminosas num iPad ou telemóvel, secadores de cabelo, aspiradores, etc. No entanto, o bebé não consegue desenvolver a articulação destas estratégias sozinho, e precisa de saber como se faz para acalmar o batimento cardíaco para conseguir adormecer.

O bebé tem uma tendência natural para a procura de homeostasia, ou seja, para adquirir mecanismos de regulação que lhe permitam manter-se num estado isento de tensões. No entanto, todos os bebés são diferentes e nem todos se acalmam da mesma maneira ou com a mesma facilidade. Não existe uma fórmula única que resulte com todos os bebés. Cabe aos pais descobrirem quais as metodologias que melhor se adaptam aos seus filhos, tendo em conta as características individuais destes.

Por Ana Amaro Trindade, Psicóloga Clínica
Carolina N. Albino, Especialista em Ritmos de Sono do Bebé




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Prevenir as cólicas com uma boa rotina de sono


Dia após dia, adormecer tranquilamente pode tornar-se difícil sem também uma prevenção de cólicas. É a partir daqui que o sonho de ensinar o bebé a dormir sem artifícios pode “cair por terra” para muitos pais, em especial ao final do dia. A imaturidade digestiva muitas vezes não é sempre a causa da continuidade de cólicas, especialmente a partir de certa altura e em bebés de termo. Ainda assim, as cólicas no início de vida de um bebé são a causa número um para se começar como não se deseja continuar, no campo do sono.

É uma predisposição humana, a de acumular cansaço e fome ao final do dia. É a altura do dia onde o nosso corpo está em maior desgaste, quando mais envelhecem as nossas células; quando, por exemplo, perante uma ligeira condição febril, ela se tende a agravar, e uma ligeira dor tende a intensificar-se e quando por exemplo, o Leite materno assume menos concentração calórico-nutritiva. O mesmo (e até maior) desgaste verifica-se nos bebés. Com a agravante que são mais sensíveis e ainda não dominam o autocontrolo físico e emocional. Os bebés cansam-se 66% mais que um adulto, o que inevitavelmente tem as suas consequências especialmente ao final do dia. O período de maior desgaste começa a observar-se a partir aproximadamente das 17:30h, sendo entre as 18h e as 20:30h o pico do maior desgaste observável (podendo intensificar-se cada vez mais, caso o bebé não esteja a descansar entretanto ou a alimentar-se). Isto é algo observável tanto nos bebés recém-nascidos através das aparentes cólicas, como em bebés mais crescidos através de rabugice e mais estados de choro, dificuldade em acalmar para dormir, bem como nas crianças através de birras e desconcentração. No entanto, à medida que vão crescendo vai diminuindo a sua necessidade de horas de sono, o que também os vai fortalecendo face ao excesso de cansaço acumulado típico do final do dia. Daí que sem outras medidas, só por essa razão, as cólicas tendem a melhorar ou a ganhar outro significante.

No entanto, é comum os pais verem as cólicas melhorar dia após dia ao ponto de desaparecem completamente quando orientam o bebé numa rotina adequada que respeite o seus “timings” de limite, antes do desgaste de extremo - dormir no momento certo e na duração certa, e alimentação reforçada, num intervalo menor, ao final do dia.

Eis a combinação de duas recomendações para prevenir e/ou extinguir as cólicas:

1 - Rotina de intervalo reduzido ao final do dia

Sesta de final do dia – “Reboost de equilíbrio”:
Mesmo tendo dormido as sestas supostas e de tempo ajustado durante todo o dia, inevitavelmente o bebé vai acumular cansaço neste período. É por isso recomendável que o bebé possa fazer uma sesta, ainda que rápida que o prepare para terminar o dia, sem excesso acumulado de cansaço - um “reboost” (e pode bastar pouco mais que um ciclo de sono - 45m, a máximo 1h). Afinal estas cólicas não eram mais do que um “inesperado” acumular de cansaço (e também inesperadamente, de fome). Ao fazer uma sesta do final do dia vai conseguir-se:
- Proteger o excesso de cansaço que inevitavelmente se acumula - agitação, tensão, consumo rápido de energia e acréscimo de fome;
- Promover uma alimentação de maior qualidade e quantidade (depois de dormir esta sesta o bebé estará mais calmo para mamar mais, melhor e engolir menos ar);
- Vai promover a calma necessária para poder adormecer mais tranquilamente quando for dormir à noite (o sono potencia o sono). A calma que provém de ter estado a dormir, vai evitar que a situação se descontrole quando for novamente acalmar para dormir, após mostrar os sinais de sono;
- Vai evitar o descontrolo físico e emocional, a espiral de choro e a tensão abdominal.
 O intervalo de tempo acordado em qualidade, sem cansaço, após esta sesta, para um bebé pequeno é menor do que a maior parte das pessoas imagina. O bebé cansa-se mais depressa neste período, ou seja vai do cansaço à exaustão em menos tempo. Será importante que se possa proteger o bebé de super-estímulos nesta fase do dia.

Intervalo reduzido entre refeições no final do dia: “Cluster Feeding
Se, por exemplo, o intervalo durante o dia tem sido de 4 horas entre refeições, ao final do dia deve ser reduzido de forma a evitar o extremo de desconforto gerado pelo inesperado acumular de fome do final do dia. Ao encurtar o intervalo vai evitar que o bebé esteja num extremo de fome e mame/se alimente sem “sofreguidão”, evitando assim o engolir de ar. Promove-se que possa mamar assim, com mais concentração, tranquilidade e maiores quantidades - essenciais para a preparação da noite. Muitas vezes os pais desconhecendo esta predisposição, poderão atrasar a alimentação para o esperado intervalo de alimentação típico, contribuindo involuntariamente para uma complicação na capacidade de o bebé estar calmo para comer (e comer menos e pior), e mesmo depois para adormecer ou se manter a dormir.

2 - Identificar e tratar de eventuais contracturas intra-uterinas e extra-uterinas (impercetíveis aos olhos dos Pais mas que também podem passar despercebidas a alguns Pediatras)

A maior parte das pessoas ainda desconhece a existência destes pequenos “desequilíbrios” da estrutura músculo-esquelética muito típicos nos recém-nascidos. A sua estrutura física é muito maleável e os bebés podem nascer com pequenos “entorses”, pela posição intrauterina, ou mesmo ganhá-los passado pouco tempo depois de nascerem, pela tendência de certas posições. Num corpo pequeno basta um ligeiro torcicolo para gerar cólicas ou intensificar o bolsar em especial uma intensificação neste período referido de maior desgaste. As contracturas mais visíveis são a tendência do bebé virar a cabeça mais para um lado que o outro, por exemplo, mas existem mais. O recurso a um Osteopata Pediátrico será o recomendável como prevenção e estabilização destas tendências musculares desconfortáveis, que podem afectar a eficiência e qualidade da amamentação assim como geram desconforto físico e cólicas.

Uma rotina de sono ajustada durante o dia (na distribuição e duração certa em especial para o período crítico do dia), combinada com uma redução do intervalo de alimentação ao final do dia, pode bastar para extinguir completamente as “cólicas” (mas apenas se o bebé dormiu o suposto durante as sestas do resto do dia, de outra forma a rotina específica neste período pode não bastar pois o bebé poderá ter mais cansaço acumulado que o normal). Após a adequada e harmoniosa aplicação destas medidas, caso se confirme o aparente desconforto físico, sugere-se a consulta de Osteopatia (Terapia manual que permite detectar a causa de uma destabilização musculo-esquelética, restaurando a capacidade de auto-reparação do bebé).

Fins de dia sem cólicas são uma realidade possível ao se combinar de forma adequada estas recomendações sugeridas. Torna-se viável começar bem no campo do sono e não criar de início, hábitos indesejados afectos ao sono e sua continuidade desejada, que os pais não vão querer ver no futuro, a médio ou longo prazo.


Sono: fazer hoje como deseja continuar amanhã


Bebés adormecidos dormem em média menos e pior que bebés que foram ensinados a dormir de forma autónoma, assim confirma o estudo feito em 2006 pela American Sleep Foundation, mas uma simples observação naturalista o confirmaria facilmente.

Ensinar um bebé a dormir e adormece-lo pressupõe capacitações do bebé muito diferentes. É como a diferença que provém de ensinar a pescar ou simplesmente oferecer peixe. Certamente oferecerem-nos um peixe é mais simpático - Mas não será bom sabermos pescar? Para o bem-estar do bebé é essencial que saiba adormecer autonomamente, pois isso irá proteger e promover a qualidade e duração do sono, tal como a noção de segurança do bebé, no presente e a médio/longo prazo.

Um bebé adormecido ao colo aprende que para dormir precisa de estar ao colo, ou seja, fora do berço, e junto do corpo de alguém para dormir. No entanto, os pais raramente pretendem ou planeiam que venha a dormir toda a duração das sestas ou durante toda a noite, ao seu colo. Normalmente todos os bebés adormecidos ao colo vão para o berço depois de adormecerem. Não será de espantar, que o bebé com o tempo desenvolva razões para demarcar a passagem de ciclos circadianos (ciclo de sono de um bebé que dura aproximadamente 45 minutos), despertando e chorando. Inevitavelmente ao acordar, confirma aquilo que suspeitava - fora ali parar sem dar conta, enquanto dormia. Pode parecer algo com pouca importância para o nosso entendimento enquanto adultos, mas para um bebé, é algo que na base, não faz sentido.

Essa mudança de local fá-los na maior parte das vezes sentir algo não muito fiável aconteceu enquanto dormiam, e suscita-lhes uma noção de insegurança em relação ao sono. Essa noção que vão colhendo sesta após sesta, será razão que baste para diminuírem a duração do seu sono. O bebé em vez de saber perfeitamente o que esperar, estará constantemente a certificar-se se sua solução para dormir - o colo - ainda se encontra ali, motivando-o a “chamar” pelo que conhecem como “o suposto” para dormir.

Não existe mal nenhum em adormecer um bebé ao colo enquanto este é recém-nascido, por exemplo, ou se a decisão corresponder a uma deliberação ponderada por parte dos pais (com consciência a longo prazo), no sentido de deixar a criança decidir quando quer deixar de ser adormecida, e especialmente que possa ser continuada na própria duração suposta do sono.

 No entanto, inadvertidamente é comum os pais, neste capítulo, começarem como não desejam continuar. Os bebés crescem, ganham peso, e raramente os pais desejam continuar a adormece-los. Mas será justo mudar as regras do jogo sem preparar o bebé para tal? Como o bebé poderá sentir-se seguro e aceitar dormir de outro modo? Mesmo que no início possa resultar muito bem, adormecer um bebé, a partir de certa altura torna-se inviável. O bebé não deve ser adormecido pelas seguintes razões fundamentais:

- A (inevitável) alteração não é justa para o bebé: Os pais podem fazê-lo sem a noção de que não se pode continuar com esse modo de dormir no futuro, seja quando o bebé for mais pesado, ou quando a mãe voltar a trabalhar e o bebé for para a creche, ou a mãe quiser ir dormir na sua cama sem o bebé.

- Dá ao bebé razões justas para despertar. Ele foi ensinado que para adormecer precisava de algo mais, neste exemplo, do colo - mas também se aplica o ser amamentado para adormecer, uso de movimento, carrinho, ir para a sala, etc. Sempre que der conta que essa solução não está ali, ele terá razões para chorar/chamar por elas.

- Intensifica a sua noção de insegurança: O bebé precisa de perceber a sequência e fiabilidade de tudo, especialmente de algo que o faz deixar de ver o que acontece - como dormir. Sempre que são adormecidos, por exemplo ao colo, normalmente acordam sozinhos no berço, ou outro local, e tendencialmente choram porque percebem que algo importante já não está ali, e algo não está correcto para dormir, tal como foram aprendendo. Choram, especialmente se ainda estiverem com sono. Ao chorarem os pais voltam novamente a tirá-los do berço, normalmente com um “pronto” - que é como quem diz, “sim é verdade, isso aí não é bom, eis a solução: aqui no meu colo para te acalmares e poderes dormir”) e readormece-o, reforçando-lhe as vezes que forem necessárias que a solução para se acalmarem e dormirem não passa pelo berço. Daí vem uma observação muito comum: “o berço tem picos”.

É importante que os pais possam planear "fazer hoje, como desejam continuar". Dessa congruência de “metodologia” depende também a confiança do bebé nos próprios pais e na sua imagem do mundo. Deste planeamento evitam-se situações comprometedoras do sono para pais e filhos.

Se o bebé só sabe adormecer ao colo (ou através de outra qualquer dependência), significa que foi assim ensinado, ainda que involuntariamente. Mudar isso pressupõe uma igual mudança de regras de jogo, que ainda que necessárias, por serem mais justas, vão beneficiar de planeamento, de dedicação, e medidas específicas ajustadas para evitar uma quebra de confiança ou mesmo uma intensificação de insegurança do bebé – sob pena de agravar a situação, caso não sejam bem avaliadas.

Quando os Pais comentam que já tentaram de tudo, é certo que o bebé já estará ainda mais inseguro e cada vez mais a cada mudança para uma medida experimental. Ao não se persistir com nenhuma medida até ao fim, é normal que o bebé não tenha tempo para aprender nenhuma, e a constante mudança das regras do jogo intensifica inevitavelmente a insegurança do bebé.

As rotinas estudadas e desenvolvidas por especialistas na área comportamental do sono quando bem desenvolvidas e implementadas, viabilizam a sistematização de rituais que ensinam os bebés a fazer importantes conquistas no campo do sono, mas também no auto-controlo. Fortalecem o laço de confiança com os Pais e têm também outros benefícios em outros campos importantes na vida do bebé (como a alimentação e os períodos de actividade). Promovem o sono de qualidade, de distribuição ajustada e a continuidade suposta para cada idade. No entanto, devem ser sugeridas a partir do maior número de informação possível da situação e devem ser personalizadas, pois todos os bebés são diferentes (além da idade, peso, temperamento) e todos os contextos são diferentes também. Ensinar um bebé a dormir que ainda não tem hábitos indesejados é muito diferente de resolver um problema de hábitos enraizados, especialmente quando há necessidade de uma recuperação de confiança (quando o bebé já foi alvo de uma série de experimentações na esperança que melhorasse). Mudar é possível, pois os bebés têm um grande potencial de aprendizagem, habituam-se, seja ao melhor para eles mesmos, seja ao pior.




quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Como construir uma relação de confiança com o seu bebé: Peça matriz para o sono - Artigo com a Psicóloga Ana Amaro Trindade


O método do "choro controlado" consiste em deixar o bebé chorar por períodos progressivamente maiores, para remover "manhas" ou maus hábitos no campo do sono e ensinar a dormir. Aqui o choro é considerado choro genuíno e não um género de “reza” que os bebés usam como barreira sonora para se abstraírem do meio envolvente e adormecerem.

A metodologia tem os seus méritos pois na sua génese passa por eliminar quaisquer “muletas” que se possam comprometer a conciliação do sono, que se quer tanto simples como autónoma. Assenta na base correcta de que para adormecer apenas são necessárias condições básicas e ter sono. Na sua base dormir é isso mesmo, é “desligar” e abstrair de qualquer distracção ou associação a outros elementos.

No entanto, este método, quando utilizado por experimentação, pode deixar marcas porque afeta a confiança que o bebé desenvolve com a Mãe/Pai e compromete a sua noção de segurança.

O método descura uma série de premissas essenciais da conjugação com outros campos, importantes no desenvolvimento equilibrado do bebé e igualmente promotores do sono. Descura pormenores relevantes do campo da alimentação, como adequação com ritmos de alimentação, ocorrência de impulsos de crescimento, ou ausência de um gradual e sólido desmame nocturno. Descura igualmente alicerces relevantes do campo emocional, pois pretende conquistar o autocontrolo emocional através da desistência de choro.

O método analisa o campo do sono como um campo independente a qualquer outro na vida do bebé. E por isso em questões de proteger, promover e ensinar a dormir a médio, longo prazo, o método torna-se limitado e incompleto.

Além de algo cruel, deixar um bebé a chorar, é como se lhe disséssemos: "Eu não me importo com o que tu sentes", o que o faz sentir-se ignorado nas suas maiores dificuldades (como controlar as suas próprias emoções e movimentos, especialmente quando já está cansado e tem mais dificuldade em fazê-lo), mesmo que seja apenas por 5 minutos - para o bebé 1 minuto pode parecer uma eternidade. O bebé sente-se inseguro porque não sabe se vai conseguir acalmar-se sozinho, também não sabe se os Pais o irão confortar ou se o abandonaram.

Não é de estranhar que quando se façam esforços para devolver a confiança perdida, depois de já se ter deixado o bebé a chorar por várias vezes, este esteja “desconfiado” em relação àquela situação, muito mais intolerante à separação e faça choro tendencialmente de pânico, seja para a sesta, ou à noite para dormir, ou para brincar sozinho, aumentando assim, na maior parte dos casos, as fobias - ao berço, à hora de dormir, quando a Mãe se ausenta para ir à sala ou vai trabalhar.

Agrava-se normalmente quando o bebé entra na fase da "ansiedade normal de separação", que é uma fase normal no desenvolvimento do bebé e que é intensificada entre os 7-9 meses. Caso os Pais não saibam como ajudar o bebé a sentir-se mais seguro nesta fase, podem involuntariamente contribuir para uma intensificação de insegurança.

Por exemplo, é comum os Pais, por desconhecimento e exaustão, irem do “oito ao oitenta” - ou adormecem o bebé ao colo, ou de um dia para o outro, sem qualquer preparação, dão-lhe a visão de uma realidade oposta, deixando-o chorar sozinho.

Usar o método do choro controlado nesta fase é a confirmação do maior receio que o bebé poderia ter: “ Afinal isto pode-me mesmo acontecer, eu já desconfiava que não era bom quando a Mãe desaparecia”.

Pior mesmo que iniciar este método é não avançar com ele até ao fim, até ao bebé aprender a encaixá-lo como o normal da sua vida e sentir-se seguro com essa nova realidade. Ao não levar esse método até ao fim, obtém-se um efeito oposto ao desejado, no aumento de insegurança do bebé.

Afinal ele tinha razão, foi abandonado a chorar, e mais resistente e em pânico estará depois desta tentativa, não persistida, em continuidade.

Outra situação, perfeitamente desajustada, é aplicar o método a um bebé recém-nascido ou de meses, cujo as causas de choro ou de dificuldade em adormecer prendem-se normalmente com causas de fome, “super-estimulo”, exaustão (o que os empurra para expirais de choro, quando o cérebro não tem capacidade de controlar as emoções e movimentos). Nesta fase, será perfeitamente desajustado pensar-se em eventuais manhas.

Tendencialmente, o método ignora as razões do choro, pois não analisa concretamente se o bebé está a chorar por “super-estimulação”, por manha, por fome, ou outra razão qualquer. Um bebé que tem peso para uma rotina de 3 horas entre refeições, e já passaram 3h00 e chora quando é posto a dormir nessa altura, não pode de maneira alguma compreender que são horas de dormir, mesmo que esteja cansado, o bebé também lida com o desconforto da fome. E caso se faça a técnica do choro controlado para que ele durma, só se está a intensificar a associação de fome à hora de dormir e ao berço. Daí que esta técnica não permita analisar muito bem as causas reais do problema relativo ao sono nem o desenvolvimento da relação de confiança entre bebé e Pais.

Conhecer o tipo de choro, é imprescindível para que os pais possam conhecer melhor o seu bebé, agir e corresponder de forma objetiva em relação à sua necessidade. A utilização comum do método descura o tipo de choro pois dá relevância apenas ao tempo de choro.

A utilização desta técnica descobre-se muitas vezes, pela forma como o bebé chora quando é deitado no berço, chorando de forma "histérica", "trepa" pelos braços quando vai ser posto a dormir. Apresenta incapacidade em adormecer ou simplesmente acalmar-se.  Restaurar a confiança nestes casos é fundamental, requer recuperação e tempo, pois agora o bebé sente-se mais inseguro e "desconfiado" e logo mais resistente ao acto de dormir.

Desenvolver a confiança do bebé é um trabalho contínuo e deve começar desde o primeiro dia. Deve ser articulada funcionalmente com numa rotina adequada à idade e peso do bebé, para permitir uma leitura mais clara das reais causas de choro e sinais deste. Ensinar a dormir pressupõe igualmente conhecer as causas das dificuldades e do choro e resolvê-las na sua raiz em vez de simplesmente aplicar o modelo “deixar chorar”.




terça-feira, 5 de novembro de 2013

Malefícios do método "choro controlado"


O método do "choro controlado" consiste em deixar o bebé chorar por períodos progressivamente maiores, para remover "manhas" ou maus hábitos no campo do sono e ensinar a dormir. Aqui o choro é considerado choro genuíno e não um género de “reza” que os bebés usam como barreira sonora para se abstraírem do meio envolvente e adormecerem.

A metodologia tem os seus méritos pois na sua génese passa por eliminar quaisquer “muletas” que se possam comprometer a conciliação do sono, que se quer tanto simples como autónoma. Assenta na base correcta de que para adormecer apenas são necessárias condições básicas e ter sono. Na sua base dormir é isso mesmo, é “desligar” e abstrair de qualquer distracção ou associação a outros elementos.

No entanto, este método, quando utilizado por experimentação, pode deixar marcas porque afeta a confiança que o bebé desenvolve com a Mãe/Pai e compromete a sua noção de segurança.

O método descura uma série de premissas essenciais da conjugação com outros campos, importantes no desenvolvimento equilibrado do bebé e igualmente promotores do sono. Descura pormenores relevantes do campo da alimentação, como adequação com ritmos de alimentação, ocorrência de impulsos de crescimento, ou ausência de um gradual e sólido desmame nocturno. Descura igualmente alicerces relevantes do campo emocional, pois pretende conquistar o autocontrolo emocional através da desistência de choro.

O método analisa o campo do sono como um campo independente a qualquer outro na vida do bebé. E por isso em questões de proteger, promover e ensinar a dormir a médio, longo prazo, o método torna-se limitado e incompleto.

Além de algo cruel, deixar um bebé a chorar, é como se lhe disséssemos: "Eu não me importo com o que tu sentes", o que o faz sentir-se ignorado nas suas maiores dificuldades (como controlar as suas próprias emoções e movimentos, especialmente quando já está cansado e tem mais dificuldade em fazê-lo), mesmo que seja apenas por 5 minutos - para o bebé 1 minuto pode parecer uma eternidade. O bebé sente-se inseguro porque não sabe se vai conseguir acalmar-se sozinho, também não sabe se os Pais o irão confortar ou se o abandonaram.

Não é de estranhar que quando se façam esforços para devolver a confiança perdida, depois de já se ter deixado o bebé a chorar por várias vezes, este esteja “desconfiado” em relação àquela situação, muito mais intolerante à separação e faça choro tendencialmente de pânico, seja para a sesta, ou à noite para dormir, ou para brincar sozinho, aumentando assim, na maior parte dos casos, as fobias - ao berço, à hora de dormir, quando a Mãe se ausenta para ir à sala ou vai trabalhar.

Agrava-se normalmente quando o bebé entra na fase da "ansiedade normal de separação", que é uma fase normal no desenvolvimento do bebé e que é intensificada entre os 7-9 meses. Caso os Pais não saibam como ajudar o bebé a sentir-se mais seguro nesta fase, podem involuntariamente contribuir para uma intensificação de insegurança.

Por exemplo, é comum os Pais, por desconhecimento e exaustão, irem do “oito ao oitenta” - ou adormecem o bebé ao colo, ou de um dia para o outro, sem qualquer preparação, dão-lhe a visão de uma realidade oposta, deixando-o chorar sozinho.

Usar o método do choro controlado nesta fase é a confirmação do maior receio que o bebé poderia ter: “ Afinal isto pode-me mesmo acontecer, eu já desconfiava que não era bom quando a Mãe desaparecia”.

Pior mesmo que iniciar este método é não avançar com ele até ao fim, até ao bebé aprender a encaixá-lo como o normal da sua vida e sentir-se seguro com essa nova realidade. Ao não levar esse método até ao fim, obtém-se um efeito oposto ao desejado, no aumento de insegurança do bebé.

Afinal ele tinha razão, foi abandonado a chorar, e mais resistente e em pânico estará depois desta tentativa, não persistida, em continuidade.

Outra situação, perfeitamente desajustada, é aplicar o método a um bebé recém-nascido ou de meses, cujo as causas de choro ou de dificuldade em adormecer prendem-se normalmente com causas de fome, “super-estimulo”, exaustão (o que os empurra para expirais de choro, quando o cérebro não tem capacidade de controlar as emoções e movimentos). Nesta fase, será perfeitamente desajustado pensar-se em eventuais manhas.

Tendencialmente, o método ignora as razões do choro, pois não analisa concretamente se o bebé está a chorar por “super-estimulação”, por manha, por fome, ou outra razão qualquer. Um bebé que tem peso para uma rotina de 3 horas entre refeições, e já passaram 3h00 e chora quando é posto a dormir nessa altura, não pode de maneira alguma compreender que são horas de dormir, mesmo que esteja cansado, o bebé também lida com o desconforto da fome. E caso se faça a técnica do choro controlado para que ele durma, só se está a intensificar a associação de fome à hora de dormir e ao berço. Daí que esta técnica não permita analisar muito bem as causas reais do problema relativo ao sono nem o desenvolvimento da relação de confiança entre bebé e Pais.

Conhecer o tipo de choro, é imprescindível para que os pais possam conhecer melhor o seu bebé, agir e corresponder de forma objetiva em relação à sua necessidade. A utilização comum do método descura o tipo de choro pois dá relevância apenas ao tempo de choro.

A utilização desta técnica descobre-se muitas vezes, pela forma como o bebé chora quando é deitado no berço, chorando de forma "histérica", "trepa" pelos braços quando vai ser posto a dormir. Apresenta incapacidade em adormecer ou simplesmente acalmar-se.  Restaurar a confiança nestes casos é fundamental, requer recuperação e tempo, pois agora o bebé sente-se mais inseguro e "desconfiado" e logo mais resistente ao acto de dormir.

Desenvolver a confiança do bebé é um trabalho contínuo e deve começar desde o primeiro dia. Deve ser articulada funcionalmente com numa rotina adequada à idade e peso do bebé, para permitir uma leitura mais clara das reais causas de choro e sinais deste. Ensinar a dormir pressupõe igualmente conhecer as causas das dificuldades e do choro e resolvê-las na sua raiz em vez de simplesmente aplicar o modelo “deixar chorar”.