quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Como ensinar o bebé a acalmar - Artigo com a Psicóloga Ana Amaro Trindade

Os bebés têm mais competências do que se pensa. É possível ensinar muitas coisas a um bebé, entre elas a acalmar-se e desenvolver o autocontrolo físico e emocional - aprendizagem fundamental para conseguir adormecer autonomamente.

O bebé nasce com diversas competências que se vão desenvolvendo. Sabe-se hoje em dia que a acuidade visual do bebé recém-nascido é máxima a uma distância de cerca de 20 cm, a que separa o rosto da mãe do bebé quando está a mamar, e que mostra, desde o nascimento, preferência pela voz da mãe, porque a ouviu enquanto esteve na barriga. Estas competências, entre outras, facilitam a ligação entre a mãe e o bebé e promovem o estabelecimento da relação entre ambos, que é a base da aprendizagem para o bebé.

No início, o bebé precisa que a mãe (ou cuidador principal) lhe “filtre” o mundo, pois a primeira forma do bebé pensar é “sintonizar” com o que a mãe lhe transmite. Os afectos e as emoções co-constroem-se - é a partilha de afectos na relação mãe-bebé que vai permitir que o bebé forme a sua vida afectiva e emocional pessoal, como afirma Bernard Golse, Pedopsiquiatra e Psicanalista. Assim, não é possível pensar na questão das emoções do bebé sem pensar na interacção que tem com os seus pais. Daí a importância da postura destes enquanto cuidam do bebé – é transmitindo calma e segurança que o bebé interioriza estas emoções.

De que forma podem os pais ensinar o seu bebé a acalmar-se autonomamente? Através de medidas como:
- Ouvir o bebé quando chora, compreender o desconforto associado ao tipo de choro, para poder responder de forma adequada, não agindo por impulso e não se deixando guiar pelas suas próprias emoções – ansiedade, frustração, etc.;
- Responder ao mal-estar do bebé de forma previsível, regular e também lógica. Por exemplo, se o bebé já se acalmou não faz sentido continuar a dizer que está tudo bem incessantemente. Por outro lado se o bebé está a chorar não faz sentido imitar o tom do choro;
- Mostrar-se tranquilo, optimista e confiante, estando atento à expressão facial que transmite e à postural corporal que demonstra, respirando de forma profunda, calma, fazendo longas inspirações e expirações, e valorizando o bebé quando imita este comportamento;
- Evitar perturbar o bebé com movimentos bruscos, agarrando-o de forma confortável e segura (não abanando);
- Falar-lhe de forma serena e espaçada. A voz é uma chave importante para acalmar o bebé, quando o tom favorece a calma. Pode ser um método ainda mais poderoso que qualquer outra solução física para acalmar.

É importante que os pais se consciencializem que acalmar um bebé pressupõe fazê-lo de modo que o bebé não tenha dificuldade em reproduzir esse comportamento no futuro, caso contrário não estará a aprender a acalmar-se. Alguns exemplos comuns que não ensinam um bebé a acalmar-se autonomamente são abanar/embalar/agitar o bebé (vê o mundo aos pulos, o que aumenta o estímulo visual), ser distraído com um brinquedo, ou pô-lo a ver televisão/iPad/telemóvel.

As nossas vivências actuais estão a empurrar os pais a usar aparelhos de tecnologia para substituírem o mais importante. Mal o bebé nasce já está a ser entregue a estratégias robotizadas de acalmar, que não passam por um aprofundar da relação, um aprofundar do laço de confiança com os pais. Usam-se sons digitais, cadeiras trepidantes, imagens luminosas num iPad ou telemóvel, secadores de cabelo, aspiradores, etc. No entanto, o bebé não consegue desenvolver a articulação destas estratégias sozinho, e precisa de saber como se faz para acalmar o batimento cardíaco para conseguir adormecer.

O bebé tem uma tendência natural para a procura de homeostasia, ou seja, para adquirir mecanismos de regulação que lhe permitam manter-se num estado isento de tensões. No entanto, todos os bebés são diferentes e nem todos se acalmam da mesma maneira ou com a mesma facilidade. Não existe uma fórmula única que resulte com todos os bebés. Cabe aos pais descobrirem quais as metodologias que melhor se adaptam aos seus filhos, tendo em conta as características individuais destes.

Por Ana Amaro Trindade, Psicóloga Clínica
Carolina N. Albino, Especialista em Ritmos de Sono do Bebé




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Prevenir as cólicas com uma boa rotina de sono


Dia após dia, adormecer tranquilamente pode tornar-se difícil sem também uma prevenção de cólicas. É a partir daqui que o sonho de ensinar o bebé a dormir sem artifícios pode “cair por terra” para muitos pais, em especial ao final do dia. A imaturidade digestiva muitas vezes não é sempre a causa da continuidade de cólicas, especialmente a partir de certa altura e em bebés de termo. Ainda assim, as cólicas no início de vida de um bebé são a causa número um para se começar como não se deseja continuar, no campo do sono.

É uma predisposição humana, a de acumular cansaço e fome ao final do dia. É a altura do dia onde o nosso corpo está em maior desgaste, quando mais envelhecem as nossas células; quando, por exemplo, perante uma ligeira condição febril, ela se tende a agravar, e uma ligeira dor tende a intensificar-se e quando por exemplo, o Leite materno assume menos concentração calórico-nutritiva. O mesmo (e até maior) desgaste verifica-se nos bebés. Com a agravante que são mais sensíveis e ainda não dominam o autocontrolo físico e emocional. Os bebés cansam-se 66% mais que um adulto, o que inevitavelmente tem as suas consequências especialmente ao final do dia. O período de maior desgaste começa a observar-se a partir aproximadamente das 17:30h, sendo entre as 18h e as 20:30h o pico do maior desgaste observável (podendo intensificar-se cada vez mais, caso o bebé não esteja a descansar entretanto ou a alimentar-se). Isto é algo observável tanto nos bebés recém-nascidos através das aparentes cólicas, como em bebés mais crescidos através de rabugice e mais estados de choro, dificuldade em acalmar para dormir, bem como nas crianças através de birras e desconcentração. No entanto, à medida que vão crescendo vai diminuindo a sua necessidade de horas de sono, o que também os vai fortalecendo face ao excesso de cansaço acumulado típico do final do dia. Daí que sem outras medidas, só por essa razão, as cólicas tendem a melhorar ou a ganhar outro significante.

No entanto, é comum os pais verem as cólicas melhorar dia após dia ao ponto de desaparecem completamente quando orientam o bebé numa rotina adequada que respeite o seus “timings” de limite, antes do desgaste de extremo - dormir no momento certo e na duração certa, e alimentação reforçada, num intervalo menor, ao final do dia.

Eis a combinação de duas recomendações para prevenir e/ou extinguir as cólicas:

1 - Rotina de intervalo reduzido ao final do dia

Sesta de final do dia – “Reboost de equilíbrio”:
Mesmo tendo dormido as sestas supostas e de tempo ajustado durante todo o dia, inevitavelmente o bebé vai acumular cansaço neste período. É por isso recomendável que o bebé possa fazer uma sesta, ainda que rápida que o prepare para terminar o dia, sem excesso acumulado de cansaço - um “reboost” (e pode bastar pouco mais que um ciclo de sono - 45m, a máximo 1h). Afinal estas cólicas não eram mais do que um “inesperado” acumular de cansaço (e também inesperadamente, de fome). Ao fazer uma sesta do final do dia vai conseguir-se:
- Proteger o excesso de cansaço que inevitavelmente se acumula - agitação, tensão, consumo rápido de energia e acréscimo de fome;
- Promover uma alimentação de maior qualidade e quantidade (depois de dormir esta sesta o bebé estará mais calmo para mamar mais, melhor e engolir menos ar);
- Vai promover a calma necessária para poder adormecer mais tranquilamente quando for dormir à noite (o sono potencia o sono). A calma que provém de ter estado a dormir, vai evitar que a situação se descontrole quando for novamente acalmar para dormir, após mostrar os sinais de sono;
- Vai evitar o descontrolo físico e emocional, a espiral de choro e a tensão abdominal.
 O intervalo de tempo acordado em qualidade, sem cansaço, após esta sesta, para um bebé pequeno é menor do que a maior parte das pessoas imagina. O bebé cansa-se mais depressa neste período, ou seja vai do cansaço à exaustão em menos tempo. Será importante que se possa proteger o bebé de super-estímulos nesta fase do dia.

Intervalo reduzido entre refeições no final do dia: “Cluster Feeding
Se, por exemplo, o intervalo durante o dia tem sido de 4 horas entre refeições, ao final do dia deve ser reduzido de forma a evitar o extremo de desconforto gerado pelo inesperado acumular de fome do final do dia. Ao encurtar o intervalo vai evitar que o bebé esteja num extremo de fome e mame/se alimente sem “sofreguidão”, evitando assim o engolir de ar. Promove-se que possa mamar assim, com mais concentração, tranquilidade e maiores quantidades - essenciais para a preparação da noite. Muitas vezes os pais desconhecendo esta predisposição, poderão atrasar a alimentação para o esperado intervalo de alimentação típico, contribuindo involuntariamente para uma complicação na capacidade de o bebé estar calmo para comer (e comer menos e pior), e mesmo depois para adormecer ou se manter a dormir.

2 - Identificar e tratar de eventuais contracturas intra-uterinas e extra-uterinas (impercetíveis aos olhos dos Pais mas que também podem passar despercebidas a alguns Pediatras)

A maior parte das pessoas ainda desconhece a existência destes pequenos “desequilíbrios” da estrutura músculo-esquelética muito típicos nos recém-nascidos. A sua estrutura física é muito maleável e os bebés podem nascer com pequenos “entorses”, pela posição intrauterina, ou mesmo ganhá-los passado pouco tempo depois de nascerem, pela tendência de certas posições. Num corpo pequeno basta um ligeiro torcicolo para gerar cólicas ou intensificar o bolsar em especial uma intensificação neste período referido de maior desgaste. As contracturas mais visíveis são a tendência do bebé virar a cabeça mais para um lado que o outro, por exemplo, mas existem mais. O recurso a um Osteopata Pediátrico será o recomendável como prevenção e estabilização destas tendências musculares desconfortáveis, que podem afectar a eficiência e qualidade da amamentação assim como geram desconforto físico e cólicas.

Uma rotina de sono ajustada durante o dia (na distribuição e duração certa em especial para o período crítico do dia), combinada com uma redução do intervalo de alimentação ao final do dia, pode bastar para extinguir completamente as “cólicas” (mas apenas se o bebé dormiu o suposto durante as sestas do resto do dia, de outra forma a rotina específica neste período pode não bastar pois o bebé poderá ter mais cansaço acumulado que o normal). Após a adequada e harmoniosa aplicação destas medidas, caso se confirme o aparente desconforto físico, sugere-se a consulta de Osteopatia (Terapia manual que permite detectar a causa de uma destabilização musculo-esquelética, restaurando a capacidade de auto-reparação do bebé).

Fins de dia sem cólicas são uma realidade possível ao se combinar de forma adequada estas recomendações sugeridas. Torna-se viável começar bem no campo do sono e não criar de início, hábitos indesejados afectos ao sono e sua continuidade desejada, que os pais não vão querer ver no futuro, a médio ou longo prazo.


Sono: fazer hoje como deseja continuar amanhã


Bebés adormecidos dormem em média menos e pior que bebés que foram ensinados a dormir de forma autónoma, assim confirma o estudo feito em 2006 pela American Sleep Foundation, mas uma simples observação naturalista o confirmaria facilmente.

Ensinar um bebé a dormir e adormece-lo pressupõe capacitações do bebé muito diferentes. É como a diferença que provém de ensinar a pescar ou simplesmente oferecer peixe. Certamente oferecerem-nos um peixe é mais simpático - Mas não será bom sabermos pescar? Para o bem-estar do bebé é essencial que saiba adormecer autonomamente, pois isso irá proteger e promover a qualidade e duração do sono, tal como a noção de segurança do bebé, no presente e a médio/longo prazo.

Um bebé adormecido ao colo aprende que para dormir precisa de estar ao colo, ou seja, fora do berço, e junto do corpo de alguém para dormir. No entanto, os pais raramente pretendem ou planeiam que venha a dormir toda a duração das sestas ou durante toda a noite, ao seu colo. Normalmente todos os bebés adormecidos ao colo vão para o berço depois de adormecerem. Não será de espantar, que o bebé com o tempo desenvolva razões para demarcar a passagem de ciclos circadianos (ciclo de sono de um bebé que dura aproximadamente 45 minutos), despertando e chorando. Inevitavelmente ao acordar, confirma aquilo que suspeitava - fora ali parar sem dar conta, enquanto dormia. Pode parecer algo com pouca importância para o nosso entendimento enquanto adultos, mas para um bebé, é algo que na base, não faz sentido.

Essa mudança de local fá-los na maior parte das vezes sentir algo não muito fiável aconteceu enquanto dormiam, e suscita-lhes uma noção de insegurança em relação ao sono. Essa noção que vão colhendo sesta após sesta, será razão que baste para diminuírem a duração do seu sono. O bebé em vez de saber perfeitamente o que esperar, estará constantemente a certificar-se se sua solução para dormir - o colo - ainda se encontra ali, motivando-o a “chamar” pelo que conhecem como “o suposto” para dormir.

Não existe mal nenhum em adormecer um bebé ao colo enquanto este é recém-nascido, por exemplo, ou se a decisão corresponder a uma deliberação ponderada por parte dos pais (com consciência a longo prazo), no sentido de deixar a criança decidir quando quer deixar de ser adormecida, e especialmente que possa ser continuada na própria duração suposta do sono.

 No entanto, inadvertidamente é comum os pais, neste capítulo, começarem como não desejam continuar. Os bebés crescem, ganham peso, e raramente os pais desejam continuar a adormece-los. Mas será justo mudar as regras do jogo sem preparar o bebé para tal? Como o bebé poderá sentir-se seguro e aceitar dormir de outro modo? Mesmo que no início possa resultar muito bem, adormecer um bebé, a partir de certa altura torna-se inviável. O bebé não deve ser adormecido pelas seguintes razões fundamentais:

- A (inevitável) alteração não é justa para o bebé: Os pais podem fazê-lo sem a noção de que não se pode continuar com esse modo de dormir no futuro, seja quando o bebé for mais pesado, ou quando a mãe voltar a trabalhar e o bebé for para a creche, ou a mãe quiser ir dormir na sua cama sem o bebé.

- Dá ao bebé razões justas para despertar. Ele foi ensinado que para adormecer precisava de algo mais, neste exemplo, do colo - mas também se aplica o ser amamentado para adormecer, uso de movimento, carrinho, ir para a sala, etc. Sempre que der conta que essa solução não está ali, ele terá razões para chorar/chamar por elas.

- Intensifica a sua noção de insegurança: O bebé precisa de perceber a sequência e fiabilidade de tudo, especialmente de algo que o faz deixar de ver o que acontece - como dormir. Sempre que são adormecidos, por exemplo ao colo, normalmente acordam sozinhos no berço, ou outro local, e tendencialmente choram porque percebem que algo importante já não está ali, e algo não está correcto para dormir, tal como foram aprendendo. Choram, especialmente se ainda estiverem com sono. Ao chorarem os pais voltam novamente a tirá-los do berço, normalmente com um “pronto” - que é como quem diz, “sim é verdade, isso aí não é bom, eis a solução: aqui no meu colo para te acalmares e poderes dormir”) e readormece-o, reforçando-lhe as vezes que forem necessárias que a solução para se acalmarem e dormirem não passa pelo berço. Daí vem uma observação muito comum: “o berço tem picos”.

É importante que os pais possam planear "fazer hoje, como desejam continuar". Dessa congruência de “metodologia” depende também a confiança do bebé nos próprios pais e na sua imagem do mundo. Deste planeamento evitam-se situações comprometedoras do sono para pais e filhos.

Se o bebé só sabe adormecer ao colo (ou através de outra qualquer dependência), significa que foi assim ensinado, ainda que involuntariamente. Mudar isso pressupõe uma igual mudança de regras de jogo, que ainda que necessárias, por serem mais justas, vão beneficiar de planeamento, de dedicação, e medidas específicas ajustadas para evitar uma quebra de confiança ou mesmo uma intensificação de insegurança do bebé – sob pena de agravar a situação, caso não sejam bem avaliadas.

Quando os Pais comentam que já tentaram de tudo, é certo que o bebé já estará ainda mais inseguro e cada vez mais a cada mudança para uma medida experimental. Ao não se persistir com nenhuma medida até ao fim, é normal que o bebé não tenha tempo para aprender nenhuma, e a constante mudança das regras do jogo intensifica inevitavelmente a insegurança do bebé.

As rotinas estudadas e desenvolvidas por especialistas na área comportamental do sono quando bem desenvolvidas e implementadas, viabilizam a sistematização de rituais que ensinam os bebés a fazer importantes conquistas no campo do sono, mas também no auto-controlo. Fortalecem o laço de confiança com os Pais e têm também outros benefícios em outros campos importantes na vida do bebé (como a alimentação e os períodos de actividade). Promovem o sono de qualidade, de distribuição ajustada e a continuidade suposta para cada idade. No entanto, devem ser sugeridas a partir do maior número de informação possível da situação e devem ser personalizadas, pois todos os bebés são diferentes (além da idade, peso, temperamento) e todos os contextos são diferentes também. Ensinar um bebé a dormir que ainda não tem hábitos indesejados é muito diferente de resolver um problema de hábitos enraizados, especialmente quando há necessidade de uma recuperação de confiança (quando o bebé já foi alvo de uma série de experimentações na esperança que melhorasse). Mudar é possível, pois os bebés têm um grande potencial de aprendizagem, habituam-se, seja ao melhor para eles mesmos, seja ao pior.




quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Como construir uma relação de confiança com o seu bebé: Peça matriz para o sono - Artigo com a Psicóloga Ana Amaro Trindade


O método do "choro controlado" consiste em deixar o bebé chorar por períodos progressivamente maiores, para remover "manhas" ou maus hábitos no campo do sono e ensinar a dormir. Aqui o choro é considerado choro genuíno e não um género de “reza” que os bebés usam como barreira sonora para se abstraírem do meio envolvente e adormecerem.

A metodologia tem os seus méritos pois na sua génese passa por eliminar quaisquer “muletas” que se possam comprometer a conciliação do sono, que se quer tanto simples como autónoma. Assenta na base correcta de que para adormecer apenas são necessárias condições básicas e ter sono. Na sua base dormir é isso mesmo, é “desligar” e abstrair de qualquer distracção ou associação a outros elementos.

No entanto, este método, quando utilizado por experimentação, pode deixar marcas porque afeta a confiança que o bebé desenvolve com a Mãe/Pai e compromete a sua noção de segurança.

O método descura uma série de premissas essenciais da conjugação com outros campos, importantes no desenvolvimento equilibrado do bebé e igualmente promotores do sono. Descura pormenores relevantes do campo da alimentação, como adequação com ritmos de alimentação, ocorrência de impulsos de crescimento, ou ausência de um gradual e sólido desmame nocturno. Descura igualmente alicerces relevantes do campo emocional, pois pretende conquistar o autocontrolo emocional através da desistência de choro.

O método analisa o campo do sono como um campo independente a qualquer outro na vida do bebé. E por isso em questões de proteger, promover e ensinar a dormir a médio, longo prazo, o método torna-se limitado e incompleto.

Além de algo cruel, deixar um bebé a chorar, é como se lhe disséssemos: "Eu não me importo com o que tu sentes", o que o faz sentir-se ignorado nas suas maiores dificuldades (como controlar as suas próprias emoções e movimentos, especialmente quando já está cansado e tem mais dificuldade em fazê-lo), mesmo que seja apenas por 5 minutos - para o bebé 1 minuto pode parecer uma eternidade. O bebé sente-se inseguro porque não sabe se vai conseguir acalmar-se sozinho, também não sabe se os Pais o irão confortar ou se o abandonaram.

Não é de estranhar que quando se façam esforços para devolver a confiança perdida, depois de já se ter deixado o bebé a chorar por várias vezes, este esteja “desconfiado” em relação àquela situação, muito mais intolerante à separação e faça choro tendencialmente de pânico, seja para a sesta, ou à noite para dormir, ou para brincar sozinho, aumentando assim, na maior parte dos casos, as fobias - ao berço, à hora de dormir, quando a Mãe se ausenta para ir à sala ou vai trabalhar.

Agrava-se normalmente quando o bebé entra na fase da "ansiedade normal de separação", que é uma fase normal no desenvolvimento do bebé e que é intensificada entre os 7-9 meses. Caso os Pais não saibam como ajudar o bebé a sentir-se mais seguro nesta fase, podem involuntariamente contribuir para uma intensificação de insegurança.

Por exemplo, é comum os Pais, por desconhecimento e exaustão, irem do “oito ao oitenta” - ou adormecem o bebé ao colo, ou de um dia para o outro, sem qualquer preparação, dão-lhe a visão de uma realidade oposta, deixando-o chorar sozinho.

Usar o método do choro controlado nesta fase é a confirmação do maior receio que o bebé poderia ter: “ Afinal isto pode-me mesmo acontecer, eu já desconfiava que não era bom quando a Mãe desaparecia”.

Pior mesmo que iniciar este método é não avançar com ele até ao fim, até ao bebé aprender a encaixá-lo como o normal da sua vida e sentir-se seguro com essa nova realidade. Ao não levar esse método até ao fim, obtém-se um efeito oposto ao desejado, no aumento de insegurança do bebé.

Afinal ele tinha razão, foi abandonado a chorar, e mais resistente e em pânico estará depois desta tentativa, não persistida, em continuidade.

Outra situação, perfeitamente desajustada, é aplicar o método a um bebé recém-nascido ou de meses, cujo as causas de choro ou de dificuldade em adormecer prendem-se normalmente com causas de fome, “super-estimulo”, exaustão (o que os empurra para expirais de choro, quando o cérebro não tem capacidade de controlar as emoções e movimentos). Nesta fase, será perfeitamente desajustado pensar-se em eventuais manhas.

Tendencialmente, o método ignora as razões do choro, pois não analisa concretamente se o bebé está a chorar por “super-estimulação”, por manha, por fome, ou outra razão qualquer. Um bebé que tem peso para uma rotina de 3 horas entre refeições, e já passaram 3h00 e chora quando é posto a dormir nessa altura, não pode de maneira alguma compreender que são horas de dormir, mesmo que esteja cansado, o bebé também lida com o desconforto da fome. E caso se faça a técnica do choro controlado para que ele durma, só se está a intensificar a associação de fome à hora de dormir e ao berço. Daí que esta técnica não permita analisar muito bem as causas reais do problema relativo ao sono nem o desenvolvimento da relação de confiança entre bebé e Pais.

Conhecer o tipo de choro, é imprescindível para que os pais possam conhecer melhor o seu bebé, agir e corresponder de forma objetiva em relação à sua necessidade. A utilização comum do método descura o tipo de choro pois dá relevância apenas ao tempo de choro.

A utilização desta técnica descobre-se muitas vezes, pela forma como o bebé chora quando é deitado no berço, chorando de forma "histérica", "trepa" pelos braços quando vai ser posto a dormir. Apresenta incapacidade em adormecer ou simplesmente acalmar-se.  Restaurar a confiança nestes casos é fundamental, requer recuperação e tempo, pois agora o bebé sente-se mais inseguro e "desconfiado" e logo mais resistente ao acto de dormir.

Desenvolver a confiança do bebé é um trabalho contínuo e deve começar desde o primeiro dia. Deve ser articulada funcionalmente com numa rotina adequada à idade e peso do bebé, para permitir uma leitura mais clara das reais causas de choro e sinais deste. Ensinar a dormir pressupõe igualmente conhecer as causas das dificuldades e do choro e resolvê-las na sua raiz em vez de simplesmente aplicar o modelo “deixar chorar”.




terça-feira, 5 de novembro de 2013

Malefícios do método "choro controlado"


O método do "choro controlado" consiste em deixar o bebé chorar por períodos progressivamente maiores, para remover "manhas" ou maus hábitos no campo do sono e ensinar a dormir. Aqui o choro é considerado choro genuíno e não um género de “reza” que os bebés usam como barreira sonora para se abstraírem do meio envolvente e adormecerem.

A metodologia tem os seus méritos pois na sua génese passa por eliminar quaisquer “muletas” que se possam comprometer a conciliação do sono, que se quer tanto simples como autónoma. Assenta na base correcta de que para adormecer apenas são necessárias condições básicas e ter sono. Na sua base dormir é isso mesmo, é “desligar” e abstrair de qualquer distracção ou associação a outros elementos.

No entanto, este método, quando utilizado por experimentação, pode deixar marcas porque afeta a confiança que o bebé desenvolve com a Mãe/Pai e compromete a sua noção de segurança.

O método descura uma série de premissas essenciais da conjugação com outros campos, importantes no desenvolvimento equilibrado do bebé e igualmente promotores do sono. Descura pormenores relevantes do campo da alimentação, como adequação com ritmos de alimentação, ocorrência de impulsos de crescimento, ou ausência de um gradual e sólido desmame nocturno. Descura igualmente alicerces relevantes do campo emocional, pois pretende conquistar o autocontrolo emocional através da desistência de choro.

O método analisa o campo do sono como um campo independente a qualquer outro na vida do bebé. E por isso em questões de proteger, promover e ensinar a dormir a médio, longo prazo, o método torna-se limitado e incompleto.

Além de algo cruel, deixar um bebé a chorar, é como se lhe disséssemos: "Eu não me importo com o que tu sentes", o que o faz sentir-se ignorado nas suas maiores dificuldades (como controlar as suas próprias emoções e movimentos, especialmente quando já está cansado e tem mais dificuldade em fazê-lo), mesmo que seja apenas por 5 minutos - para o bebé 1 minuto pode parecer uma eternidade. O bebé sente-se inseguro porque não sabe se vai conseguir acalmar-se sozinho, também não sabe se os Pais o irão confortar ou se o abandonaram.

Não é de estranhar que quando se façam esforços para devolver a confiança perdida, depois de já se ter deixado o bebé a chorar por várias vezes, este esteja “desconfiado” em relação àquela situação, muito mais intolerante à separação e faça choro tendencialmente de pânico, seja para a sesta, ou à noite para dormir, ou para brincar sozinho, aumentando assim, na maior parte dos casos, as fobias - ao berço, à hora de dormir, quando a Mãe se ausenta para ir à sala ou vai trabalhar.

Agrava-se normalmente quando o bebé entra na fase da "ansiedade normal de separação", que é uma fase normal no desenvolvimento do bebé e que é intensificada entre os 7-9 meses. Caso os Pais não saibam como ajudar o bebé a sentir-se mais seguro nesta fase, podem involuntariamente contribuir para uma intensificação de insegurança.

Por exemplo, é comum os Pais, por desconhecimento e exaustão, irem do “oito ao oitenta” - ou adormecem o bebé ao colo, ou de um dia para o outro, sem qualquer preparação, dão-lhe a visão de uma realidade oposta, deixando-o chorar sozinho.

Usar o método do choro controlado nesta fase é a confirmação do maior receio que o bebé poderia ter: “ Afinal isto pode-me mesmo acontecer, eu já desconfiava que não era bom quando a Mãe desaparecia”.

Pior mesmo que iniciar este método é não avançar com ele até ao fim, até ao bebé aprender a encaixá-lo como o normal da sua vida e sentir-se seguro com essa nova realidade. Ao não levar esse método até ao fim, obtém-se um efeito oposto ao desejado, no aumento de insegurança do bebé.

Afinal ele tinha razão, foi abandonado a chorar, e mais resistente e em pânico estará depois desta tentativa, não persistida, em continuidade.

Outra situação, perfeitamente desajustada, é aplicar o método a um bebé recém-nascido ou de meses, cujo as causas de choro ou de dificuldade em adormecer prendem-se normalmente com causas de fome, “super-estimulo”, exaustão (o que os empurra para expirais de choro, quando o cérebro não tem capacidade de controlar as emoções e movimentos). Nesta fase, será perfeitamente desajustado pensar-se em eventuais manhas.

Tendencialmente, o método ignora as razões do choro, pois não analisa concretamente se o bebé está a chorar por “super-estimulação”, por manha, por fome, ou outra razão qualquer. Um bebé que tem peso para uma rotina de 3 horas entre refeições, e já passaram 3h00 e chora quando é posto a dormir nessa altura, não pode de maneira alguma compreender que são horas de dormir, mesmo que esteja cansado, o bebé também lida com o desconforto da fome. E caso se faça a técnica do choro controlado para que ele durma, só se está a intensificar a associação de fome à hora de dormir e ao berço. Daí que esta técnica não permita analisar muito bem as causas reais do problema relativo ao sono nem o desenvolvimento da relação de confiança entre bebé e Pais.

Conhecer o tipo de choro, é imprescindível para que os pais possam conhecer melhor o seu bebé, agir e corresponder de forma objetiva em relação à sua necessidade. A utilização comum do método descura o tipo de choro pois dá relevância apenas ao tempo de choro.

A utilização desta técnica descobre-se muitas vezes, pela forma como o bebé chora quando é deitado no berço, chorando de forma "histérica", "trepa" pelos braços quando vai ser posto a dormir. Apresenta incapacidade em adormecer ou simplesmente acalmar-se.  Restaurar a confiança nestes casos é fundamental, requer recuperação e tempo, pois agora o bebé sente-se mais inseguro e "desconfiado" e logo mais resistente ao acto de dormir.

Desenvolver a confiança do bebé é um trabalho contínuo e deve começar desde o primeiro dia. Deve ser articulada funcionalmente com numa rotina adequada à idade e peso do bebé, para permitir uma leitura mais clara das reais causas de choro e sinais deste. Ensinar a dormir pressupõe igualmente conhecer as causas das dificuldades e do choro e resolvê-las na sua raiz em vez de simplesmente aplicar o modelo “deixar chorar”.




sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Subestimar o potencial de aprendizagem do bebé pode arruinar o seu sono

Felizmente a maior parte dos pais que me procuram sabem que os bebés estão, desde que nascem, altamente predispostos a aprender e que toda a sua recente vivência é aprendizagem. O que os pais podem precisar de aprofundar é que, sendo uma condição humana, esta deve ser vista como uma capacidade a potenciar em benefício do próprio bebé e do seu próprio bem-estar.


O seu cérebro absorve naturalmente toda a informação da nova vida, deste “novo mundo”. No entanto, toda esta vivência, toda esta informação é adequada ao seu nível de experiência, conhecimento e expetativa, que naturalmente ainda é limitado.


Na prática da aprendizagem nesta fase da vida, tal como em qualquer idade, o processo é otimizado pela repetição. No entanto, os resultados da aprendizagem pela repetição só serão potenciados caso se façam acompanhar de consistência, congruência, clareza de eventos e numa base lógica de adequação funcional face às necessidades e capacidade reais do bebé.


Acontece passar um pouco despercebido aos pais estas astutas aptidões de aprendizagem. Ocorre muitas vezes uma desconexão entre aquilo que os pais acham que o bebé aprendeu e aquilo que de facto estão a ensinar inadvertidamente. É comum que os pais nem cheguem a ter consciência que ensinaram algo indesejado e que está a comprometer algo importante, atribuindo algumas razões às “manhas”. Claro que nunca o fazem conscientes disso. Isto apenas acontece quando, sem qualquer intenção, se ignora que o bebé está aprender absolutamente tudo. Os momentos de convívio, o tipo de respostas ao choro, posturas, soluções para cada reação/estado do bebé, estão a ser alvo de absorção e associação pelo próprio bebé. É assim que ele desenvolve o encadeamento do seu mapa mental e de todos os conceitos em desenvolvimento.


Por exemplo, quando um bebé chora, independentemente da razão, ele estará muito atento ao momento em que voltará a sentir-se bem depois do choro. Além das razões do choro, ele estará mais atento à solução usada. Torna-se justo, por isso, que se facilite a sua organização causa-efeito para uma harmoniosa e justa construção do mapa mental de conceitos. Deste modo é possível nivelar o que é justo o bebé poder esperar. Esta adequação de expectativa evita a intensificação dos períodos de choro.


Não sendo exclusivo, é curiosamente no campo do sono do bebé, onde se verifica a maior desconexão entre aquilo que os pais esperam que o bebé saiba fazer e aquilo que de facto o ensinaram a fazer, ainda que com a melhor intenção.


Se por exemplo um bebé mamar imediatamente antes de dormir antes de cada sesta e antes de ir dormir à noite (de forma padronizada e continuada) ainda que durante o dia isso não evidencie aparentemente um grande problema, ao longo do tempo dará razões para começar a revelar-se um problema durante a noite. A associação direta de leitinho/mama ao sono, continua no a ser dos hábitos mais difíceis de gerir pelos pais no período da noite. Sabendo que o sono não é contínuo, e caso o bebé não tenha aprendido a adormecer de outro modo durante o dia, é justo que sempre que desperte, e não consiga re-adormecer imediatamente, venha a apresentar desconforto pelo cansaço de não estar a dormir, mas também porque espera a sua solução “pré-sono”, neste caso: leitinho/mama.


Existem variadíssimos exemplos como este, mas todos eles de uma maneira ou de outra descuram o potencial de aprendizagem do bebé.


Reforçando a informação de que os bebés quando estão cansados/com sono choram, independentemente do local (no colo, no berço, etc.), é importante que os pais possam lembrar que persistir numa qualquer solução para acalmar nesta circunstância, mesmo para além do bebé estar calmo, é associado por este, como “a solução para dormir”. O bebé está sempre a aprender. Ensinar o bebé a dormir, neste caso pressupõe parar de acalmar antes do bebé adormecer - e nessa altura coloca-lo no berço, calmo mas acordado. 


Melhor que acalmar um bebé para dormir é mesmo ensinar o bebé a acalmar (em vez de apenas o acalmar). Mas ensinar a acalmar passa também por compreender quais as possibilidades que o bebé teria de o fazer por si com os seus próprios recursos, a curto, médio e longo prazo.


Como exemplo, se para dormir só se oferecer colo para acalmar o bebé, é normal que ele não podendo fazê-lo sozinho, espere por esse colo milagroso para acalmar e voltar a dormir, chamando por ele sempre que sinta necessidade, especialmente porque não sabe readormecer doutro modo. A “solução colo” para acalmar o choro do bebé não é só usado no momento de dormir. É popular que para qualquer razão de choro os pais ofereçam o colo como primeira solução. E como o bebé está sempre a “absorver”, ele vai associar que para se sentir bem, quando chora, precisa de colo. Haverá uma altura que o bebé terá razões para não se sentir seguro em mais lado nenhum, e o berço venha a ganhar “picos”.


Aprender a acalmar é das aprendizagens mais importantes que o bebé faz para toda a sua estrutura emocional. É igualmente, o melhor caminho para ensinar um bebé a desenvolver a sua capacidade de adormecer e readormecer. Mas ensinar a acalmar não pressupõe invariavelmente colo, porque na verdade o bebé aprende a acalmar onde lhe for dada a oportunidade repetida. Por questões de desconforto derivado do cansaço, o bebé muitas vezes entra numa espiral de choro e da qual não sabe sair, por não saber controlar-se física e emocionalmente. É comum alguns pais acharem que este choro possa ser o bebé “a lutar contra o sono” (outro mito). Normalmente derivado desta espiral é que se iniciam os hábitos indesejados para dormir, pois os Pais já estão capazes de qualquer loucura para que o bebé se acalme e durma (ou pior acabe mesmo ali a sesta). No entanto, caso sejam dadas condições, o autocontrolo desenvolve-se ao se ensinar a acalmar. E o bebé aprende e desenvolve essa capacidade desde cedo. (Curiosamente, é preciso autocontrolo e paciência dos pais para o ensinar). Abanar um bebé para se acalme é uma ilusão. Na verdade, só se está a distrair o bebé com o movimento “do mundo a abanar” e não ensina o autocontrolo. Pode no entanto, adormecer o bebé - e assim se perde mais uma oportunidade de aprendizagem protetora do sono.


Usar apenas soluções físicas ao longo do desenvolvimento do bebé, como solução para acalmar para que ele possa conciliar o sono de forma tranquila e autónoma é de louvar, pois não é adormecer de forma induzida o bebé, dando-lhe a ele a oportunidade de melhorar essa aptidão. Todavia pode ser redutor, combinando a dimensão do seu potencial de aprendizagem e o tempo que ainda tem pela frente.


Um bebé pode aprender a acalmar-se apenas com o tom e mensagem da Mãe (/cuidador), caso seja usado um tom calmo e tranquilizante e excluindo a fome e a dor (que existindo farão com que seja difícil que durma). Só não é tão comum observar-se tal fenómeno porque ao se desconhecerem as reais razões de choro, os pais começam desde cedo por persistir, de forma padronizada, em acalmar o bebé através de respostas/soluções físicas - como embalo, trepidação, mama, chucha entre outros.


Ensinar a acalmar fortalece o espirito, aprofunda o laço de confiança com os pais e a autoconfiança do próprio bebé. Para ser desenvolvido precisa que se compreenda o potencial de sintonia que o bebé pode desenvolver desde cedo com os pais e mais uma vez reconhecer que de pequenos só têm mesmo o tamanho. A sua capacidade de aprender é enorme!


O sono tem “as costas largas” e subestimar o potencial de aprendizagem com o qual os bebés humanos nascem, atrapalha pequenas e valiosas conquistas nas suas próprias autonomias básicas - como dormir.


Felizmente, tudo isto é passível ser desenvolvido adequadamente por qualquer Mãe ou Pai de forma quotidiana. A par do seu indispensável amor e paciência, ao conhecer e tornar as medidas adequadas num hábito, os frutos são altamente gratificantes para o descanso e qualidade de vida de todos.




sábado, 12 de outubro de 2013

A importância de boas rotinas nos bebés e crianças - Artigo com a Psicóloga Ana Amaro Trindade

As rotinas são fundamentais na vida dos bebés e das crianças. No entanto, não significa que qualquer rotina sirva em pleno as necessidades específicas de cada fase do desenvolvimento do bebé.


No campo do sono, uma rotina adequada pode desenvolver a existência de estabilidade no ritmo circadiano, o que permite um melhor desenvolvimento do bebé a todos os níveis – físico, intelectual e emocional. Num bebé, este campo é o melhor avaliador do ajuste da rotina (face à idade, peso e mesmo temperamento do bebé). O sono é dos primeiros campos a dar sinais de perturbação quando a rotina, ou conjunto de rotinas, não são apropriadas. Uma rotina desadequada afeta também padrões alimentares, o comportamento geral, e quando arrastadas para depois da primeira infância, pode mesmo ter um impacto negativo no temperamento da criança.


Estabelecer rotinas consistentes e adequadas permite ao bebé criar um sentimento de confiança e segurança no mundo, e uma organização cognitiva das vivências do dia-a-dia que optimiza a sua aprendizagem – ao acordar, fazer as refeições, brincar, fazer as sestas e no fim do dia tomar banho e ir para a cama todos os dias às mesmas horas, e com a mesma cadência, o bebé vai conseguir prever o que vai acontecer a seguir. Esta capacidade de antecipar ajuda-o a perceber o que esperar e a confiar que os seus cuidadores vão conseguir satisfazer as suas necessidades, o que lhe transmite um sentimento profundo de segurança.


Quando são ligeiramente mais velhos, uma rotina adequada tem também a vantagem de diminuir os conflitos na relação pais-filhos. Será natural, e até desejável, que as crianças pequenas confrontem os pais na procura de poder, que tentem fazer as coisas à sua maneira. No entanto, embora existam muitas escolhas que possam ser feitas pela criança – com que brinquedo prefere brincar, a cor do prato onde vai comer, ou que roupa lhe apetece vestir (desde que não sejam chinelos no Inverno), existem decisões que competem aos pais. Apesar de ser expectável que algumas crianças a partir de certa idade achem preferível brincar a ir dormir, questões como a hora de deitar não devem ser questionadas pelas crianças, embora logicamente o tentem fazer. Existindo uma rotina ajustada, uma consistência diária, a probabilidade de existirem conflitos diminui porque a criança sabe com o que conta e percebe que “vai ser sempre assim”. A rotina dita a lei e diminui a “insistência” dos pais.


As rotinas ensinam comportamentos positivos e responsáveis, que promovem a saúde e a segurança das crianças. Através delas aprendem, por exemplo que se deve lavar sempre as mãos antes das refeições ou que se deve dar a mão a um adulto quando se atravessa a estrada. Assumem também um papel crucial no processo de retirar a fralda, seja durante o dia ou mesmo à noite, pois além da iniciativa funcional, permitem regular fisiologicamente o organismo.


As rotinas ajudam a desenvolver competências sociais. O bebé rapidamente começa a observar os ambientes em que se encontra e os padrões específicos de cada contexto, as pessoas com quem vai interagindo (ou com quem vê os pais a interagir). Vai captando os sinais e as rotinas sociais, como por exemplo, dizer “Olá” e “Adeus”, as circunstâncias para diferentes posturas, ou até mesmo algo tão simples como ter que esperar pela sua vez de falar.


Importa, ainda assim, que o bom senso predomine, pois o excesso de rotinas se associado a um funcionamento rígido, inflexível e pouco empático por parte dos pais, pode anular estes benefícios.


Ana Amaro Trindade
Psicóloga Clínica

Carolina Albino
Especialista em Ritmos de Sono do Bebé