sábado, 12 de outubro de 2013

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A importância de ensinar a dormir para o desenvolvimento do cérebro nos primeiros 12 meses

Quando nascemos, nascemos com uma folha quase limpa de informação. Além de não nascermos com hábitos, vícios ou tendências, estamos com o maior potencial de aprendizagem, o maior número de neurónios e também com a maior velocidade de divisão celular


O nosso corpo cresce mais depressa do que alguma vez irá experienciar, por isso, se fizéssemos uma pequena comparação, se crescessemos com o mesmo ritmo que crescemos durante esta fase, durante toda a nossa vida, seriamos maiores que certos prédios de vários andares! É interessante perceber que, da mesma maneira, toda a estrutura cognitiva e emocional se desenvolve com a maior rapidez nesta fase. Mais do que interessante, é fascinante!


Como é possível serem os bebés considerados, um tanto ou quanto, ”inferiores” ou “limitados”? “Autênticas máquinas de comer, dormir, chorar e fazer cocó”?


Não é questionável a importância que tem um bebé aprender a “pegar bem” no peito, para melhor se melhor alimentar e para melhor crescer; não é questionável a importância de aprender a reconhecer a voz e o rosto dos pais, pelo laço de confiança e noção de segurança; não é questionável aprender a aceitar tomar um banho, ou mudar a fralda porque é importante, mesmo que lhe custe. Porque haveria de ser menosprezada a importância da necessidade que um bebé tem dormir?


Dormir é uma necessidade básica vital. É a dormir que o bebé vai assimilar a informação que experienciou enquanto estava acordado, que irá crescer mais, ou mesmo curar-se (dada a aceleração concentrada da reprodução celular). Daí que se explique que é durante os primeiros 12 meses de vida que se aprende mais do que qualquer outra fase da vida. Tudo é novo, tudo é aprendizagem. O reflexo da sucção pode ser um reflexo inato, mas mamar bem é aprendizagem;. mexer os braços e pernas, cara, olhos, é inato, mas saber controlá-los segundo a vontade, é aprendizagem! A equação fica fácil de definir para os Seres Humanos no início de vida: quanto mais houver necessidade de crescer, aprender ou curar (que é facilmente observável especialmente nos primeiros 12 meses de vida) mais tempo é necessário de sono - pois é onde se dá o processamento e reestruturação. No entanto não significa que seja necessário dormir 24h horas, existem estudos já feitos, alguns nem tão recentes, que definem o tempo ideal de sono para cada fase da vida.


Para os bebés o consumo de energia é grande e o “ depósito” de combustível” (estômago), é pequeno, logo a resistência é muito menor. Assim torna-se simples imaginar a tortura física e psicológica de um bebé, por exemplo, com um mês, que está mais de três horas acordado. Tudo se quer gradual, e como tal, nesta fase (até aos 12 meses), estar acordado a experienciar a vida também deve ser gradual, pela continuidade de tempo acordado.


Quando o bebé dorme a Mãe pode descansar, o que tem benefícios fundamentais para ambos: a mãe dormindo e alimentando-se bem, melhora sua produção de leite (em termos de fluxo e quantidade) e, claro melhora a sua disposição e capacidade de investir na qualidade de vivência quando o bebé está acordado, e dar-lhe 100% de si!


É fundamental a Mãe conhecer as causas de desconforto do seu bebé, as melhores posições para alimentação, os “timings” e os ambientes mais adequados, as melhores actividades (adequadas a cada fase) e, depois, quando o bebé está cansado e começa a mostrar os primeiros sinais de sono, seguir para aquela que é a uma das aprendizagens mais importantes da vida, importantíssima para a mente e corpo em crescimento: Dormir!


A especialização em Ritmos de Sono do Bebé

Tudo começou em 2006. Comecei o estudo, primeiro mais casual e depois aprofundado, de metodologias relacionadas com a regulação dos hábitos e toda a área comportamental de bebés, mesmo um ano antes de ficar grávida. Em 2007, comecei a implementar as práticas no meu primeiro filho, os resultados foram indiscutivelmente diferenciadores daquilo a que sempre me habituei a ver nos bebés aqui em Portugal: noites complicadas, a aceitação de que é normal que um bebé chore bastante e acorde durante a noite até tarde, simplesmente porque é bebé, entre outras conformidades por puro desconhecimento. Foi importante comprovar pessoalmente que afinal isso são variáveis que não dependem apenas da sorte, antes pelo contrário, são variáveis controláveis em qualquer bebé, especialmente com temperamentos difíceis.


Também após o nascimento do meu segundo filho, desta vez uma menina, comecei a alargar e aprofundar o estudo a vários entendidos/escolas/abordagens, concretizando em conformidade uma especialização no campo dos "Hábitos/Ritmos de Sono" por MNT Training em Reading University - United Kingdom. A certificação veio consolidar o meu trabalho e estudo nesta área e permitir que este conhecimento se tornasse numa actividade profissional. 


Prestei também serviço voluntário a bebés com o objectivo de resolver problemas relacionados com hábitos de sono, alimentação e comportamento e, e posteriormente, concretizei uma nova forma de organizar a minha ajuda com o projecto “Conselheira de Bebés”. Projecto este, abençoado pelo Prof. Dr. Mário Cordeiro que desde sempre disponibilizou o seu apoio pessoa e profissional, bem como o apoio da psicóloga Dr.ª Teresa Botelho, quem em muito veio reforçar a minha dedicação a esta causa. 


Concluí também a formação em "Maternity Practionnier Award" para consolidação numa área meta-sono complementar aos cuidados do Bebé e da Mãe, também esta no Reino Unido. (A razão pela qual não faço a tradução dos termos, prende-se com o pormenor de não existir formação que encaixe em paralelo em Portugal, sob a mesma estrutura e metodologia)